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terça-feira, 10 de maio de 2011

Assim Vivem os Homens



   Tolsoi dizia que existem três conceitos de vida, dois pelos quais a humanidade já passou, que são o modo de vida animal ou pessoal onde o ser visa apenas seus interesses e vontades individuais; o da vida social onde busca os interesses de seu grupo: família, tribo, sociedade, Estado, Nação e etc; e o terceiro, o qual passamos hoje (ou deveriamos passar), com o cristianismo: a vida universal ou divina onde cada ser humano compreende a beleza e o significado da vida não em si mesmo ou em seus chegados, mas em cada ser humano que carrega uma centelha divina, em toda a obra. Tal modo de vida foi proposto e ensinado por Jesus a dois mil anos atrás, Ele já compreendia a nova forma de vida que a humanidade precisa aprender para viver, deixando para trás os outros dois modos simplistas e pobres de se viver.

   Eis que passaram milênios e alguns de nós ainda vivem como os mais ancestrais e brutos dos homens: buscando apenas o seu prazer pessoal. Sua vida é o niilismo em sua forma mais perfeita, pois cada ação, pensamento, e sua forma de vida em si é a busca de sua satisfação, de seu prazer. Alguns menos outros mais, mas ainda sim o modo de vida animal. Não importa o que o Outro sente, mas apenas o que eu sinto. Não importa se minhas ações podem prejudicar alguém ou que conseqüências tiveram, se entristeceram alguém, o que importa em últimos casos é se me trouxe prazer.

   O que interessa é os seus interesses ou os do seu grupo, quero que os interesses: do meu estado, nação, partido político, amigos, classe profissional, família, ideologia e etc. prevaleçam em detrimento dos outros. Os mais atrasados vivendo apenas para si, alguns mais a frente buscando os interesses dos seus, mas achar algum louco vivendo pela vida, pela universalidade, por toda a humanidade é pedir demais, quase um absurdo diria o niilista convicto.

   Jesus a milhares de anos a frente de seu tempo já ensinava a nova etapa da vida pela qual a humanidade deveria viver a partir daquele momento: a forma de vida fraterna e divina, cada um buscando viver para o próximo, não viver para ser servido mas viver para servir, pois esse modo de vida garantia Ele, é a única forma honesta e verdadeira pela qual podemos encontrar a vida e felicidade verdadeira. Qualquer que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, salvá-la-á. (Lucas 17:33). E saia por ai proclamando para quem estivesse disposto e apto para ouvir: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Mitos

“Viemos de Deus e, inevitavelmente, os mitos desenvolvidos por nós, embora cheios de erros, refletirão pequenos fragmentos da verdadeira luz, a verdade eterna que está com Deus. Na verdade, somente e através da criação de mitos, tornando-se um ‘subcriador’ e inventando histórias, pode o Homem aspirar ao estado de perfeição que ele conhecia antes da Queda. Nossos mitos podem ser desencaminhados, mas eles, de modo trôpego, terminam por nos levar ao verdadeiro porto” (Citado em J. R. R. Tolkien, de Humphrey Carpenter)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

E Deus com isso?

A Folha de S.Paulo informa hoje que a Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) inicia hoje uma Campanha publicitária para dizer que Deus pode não existir. As peças de propaganda com frases como “Religião não define caráter” e “A fé não dá respostas. Ela só impede perguntas”, circularão em ônibus de Salvador e Porto Alegre por um mês.

“A campanha teve início no Reino Unido em 2009 e se espalhou por outros países, com resultados distintos. Nos EUA e na Espanha, a iniciativa deu certo, provocando a esperada polêmica. Na Itália, a veiculação foi proibida. Na Austrália, a companhia responsável por anúncios em ônibus se recusou a exibi-los”, escreve Hélio Schuwartsman. “Algo parecido aconteceu em São Paulo. Depois que conheceu o conteúdo dos anúncios, já após a assinatura do contrato, a empresa que os veicularia se negou a fazê-lo, alegando que a legislação proíbe temas religiosos”.

A notícia informa também que “metade dos cerca de R$ 10 mil utilizados na campanha brasileira vem de pequenas doações e de recursos da própria instituição. A outra metade vem de um único doador paulista que prefere permanecer anônimo”.

Isso me fez lembrar aquela história dos dois rabinos que invadem a madrugada discutindo a existência de Deus e, depois de umas taças de bom vinho, concluem que Deus não existe. Já tarde da noite cada um vai para o seu aposento, mas como de costume acordam bem cedo. Um deles, entretanto, não se apresenta para o desjejum. O outro sai à sua procura vasculhando a casa, e logo encontra o amigo no jardim fazendo seu rito matinal. Ele tem a cabeça coberta com o solidéu, os ombros com o tallit, o manto de orações, e em voz alta repete o Shacharit e o Shema.

– O que você está fazendo?
– Minhas orações matinais, responde o outro com naturalidade.
– Mas nós não concluímos que Deus não existe?
– E o que é que Deus tem a ver com isso?

Via http://edrenekivitz.com/

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Profeta e a Revolução

Fui a Jaraguá do Sul visitar um cliente, coisa que raramente faço, e fui de terno e gravata, coisa que jamais voltarei a fazer. Quando sai da fábrica era o meio da tarde e pensei em dormir numa pousada em Pomerode, depois de encher a carne na Torten Paradis e beber uma imaculada série de Weiss no deque da cervejaria Schornstein.

Eu já estava em Pomerode, naquele cruzamento na frente da delegacia, quando olhou-me de repente a placa da saída para Timbó; lembrei-me inevitavelmente de Rio dos Cedros e de seu profeta, e decidi alongar a viagem por meia hora – ver se encontrava coragem para encarar novamente o homem que olhou o pecado no meu rosto e não viu nada de mais no que viu.

Avancei sem parada na tarde oblíqua e dourada, cruzando arrozais de um verde-limão inclemente e casinhas vermelhas encravadas em jardins de rosas. Quando fechei atrás de mim a última porteira e fiz o Corsa descer crepitando a curva ladeada de jerivás, faltava pouco para as seis da tarde.

Eu havia tirado meias e sapatos assim que entrara no carro, portanto antes de sair só afrouxei a gravata e enrolei duas vezes a barra da calça. Caminhei descalço pelo caminho de lousa até o portãozinho da cerca do jardim, gritei ô de casa, e quando venci os dois degraus da varanda já havia terminado de dobrar até os cotovelos as mangas da camisa branca.

Todas as portas e janelas da casinha de madeira estavam abertas, pelo que demorei a entender que estava vazia. Na varanda de trás (dei a volta por fora) encontrei uma mesa de madeira maciça, um fogão a lenha e um tanque escavado em pedra, abastecido sem trégua pela água de um aqueduto de meia taquara que desaparecia em direção ao morro vizinho. Retirei uma caneca de metal do prego em que pendia e bebi.

Devolvi a caneca, ponderando voltar para o carro e refazer o caminho, anulando por completo aquela tentativa e ganhando pontos para dizer um dia estive aqui e você não estava. Olhei o relógio do celular: cinco e quarenta e quatro. Decidi ir embora imediatamente e em outra ocasião explicar que havia esperado em vão das cinco e meia até as seis. Nesse ponto, no interior da casa, alcançou-me da mesa da cozinha uma visão potente o bastante (talvez a única) para me fazer abandonar o plano de fuga: uma pilha de livros.

O profeta de Rio dos Cedros entrou em casa meia hora depois, batendo uma contra a outra as solas de suas botas de borracha, e encontrou-me lendo fábulas de La Fontaine na mesa da sua cozinha. Os outros livros eram Sobre a origem da desigualdade, de Rousseau, A origem da família, da propriedade privada e do estado, de Engels, Almas Mortas, de Gogol e – o único que eu ainda não havia lido – o panfleto de quatro páginas Teses sobre Feuerbach, de Marx.

– Brabo, você voltou – ele disse, e parecia sinceramente feliz, mas antes de entrar lavou no tanque lá fora as mãos, os pés e uma braçada de raízes de aipim que trouxera numa sacola.

– Meu amigo proletário João do Pó! Desculpe aí ir entrando desse jeito – eu disse, mas ele desconsiderou com um balanço da cabeça e produziu de detrás de uma cortina estampada uma gamela com ameixas vermelhas e pêssegos.

Dez minutos depois as mandiocas cozinhavam no fogão e cada um de nós tinha diante de si um copo com partes iguais de Campari, gelo, vinho branco barato e água com gás, consagrados com uma fatia de laranja.

– E eu que não tinha lido esse livrinho de Marx – eu disse, querendo desviar a conversa. – Quando vi a casa vazia estava decidido a ir embora, mas tive de ficar pra falar com você sobre ele.

– Confesso que não li nada desse teólogo de quem Marx está falando, mas parece que não é preciso ter lido para entender.

– Você vai gostar de Feuerbach, mas sim, Marx está aparentemente falando consigo mesmo – puxei o panfleto do topo da pilha de livros e deixei que abrisse pousado na minha mão aberta. – A prática revolucionária. Eu não conhecia esse lado politizado de João do Pó.

Ele limitou-se a sorrir e sorver um gole.

– Pelo que entendi Marx está enfezado com o materialismo – ele opinou, – que embora seja a mais desiludida e terra-a-terra das ideias, ainda assim não passa de uma ideia. Nada no mundo dos conceitos basta para produzir a prática revolucionária que pode mudar o mundo, et cetera.

– Exato. Até aquele ponto a história da filosofia havia representado uma revolução arquival, por assim dizer. Os filósofos tinham em seu favor haver catalogado todos os problemas, todas as causas e todas as soluções, mas nada daquilo corria o risco de vazar dos arquivos das ideias para o mundo real.

– Como é mesmo que ele diz no final? – ele riu consigo mesmo, passando a mão pela cabeça raspada. – A última coisa?

– “Os filósofos têm se limitado a interpretar o mundo de maneiras diferentes” – eu li, imprimindo o devido drama ao cenário de dois homens discutindo filósofos mortos numa casinha de madeira no meio do nada debaixo de um céu límpido orlado por iminentes tempestades de verão. – “A questão, porém, é transformar o mundo.”

– É quase “a fé sem obras é morta”, não é verdade? – ele provocou, e ignorei a provocação.

Nesse momento a luz na cozinha piscou duas ou três vezes antes de apagar por completo, e ouvimos a geladeira tremer e silenciar. Agora só se ouviam os sapos que malhavam ferros no banhado entre o morro e a casa.

– Está sempre chovendo em algum lugar – ele lembrou.

– O bastante para sempre apagar a luz de outro – eu disse, e coloquei o celular em cima da mesa para que ele nos cinzelasse minimamente com sua vigília azul.

– Enfim – ele disse, brincando com a tampa de Campari como se quisesse fechar a garrafa, sem nunca chegar a concluir a tarefa, – houve uma época em que o que a revolução desejava era remover um sistema estabelecido de coisas e colocar outro sistema no lugar. Se a realidade resistisse à mudança, como costumava fazer, para promover a revolução era tido como necessário apelar para a violência.

– Como assim, “houve um tempo”? Não é mais assim?

– Faz algum tempo que não – ele olhou-me muito sério para confirmar. – O capitalismo, que se apropria de tudo e reverte em seu favor, apropriou-se por inteiro do discurso da revolução.

– Che Guevara é uma marca numa camiseta que você quer comprar.

– Justamente – ele ajeitou-se na cadeira, – mas não só isso. A revolução está em todo lugar; impossível agora é escapar dela. A mudança é o presente sistema, e o capitalismo se alimenta precisamente disso. Hoje um produto é que é “revolucionário”. A internet é revolucionária. Os conservadores costumavam ser os que resistiam à mudança; hoje em dias, conservadores são os que creem que a mudança é a única coisa que existe.

– Tornando dessa forma a verdadeira revolução impossível.

– Não completamente. Hoje em dia para fazer violência ao sistema é preciso rejeitar a mudança em vez promovê-la.

– Uma violência de abstenção? – bebi um gole para dissimular um mal-estar que eu sabia só tendia a crescer.

– Para fazer violência contra a revolução do capitalismo é preciso abrir mão da revolução. É preciso escolher as margens. É preciso pisar para fora do sistema.

Ele silenciou, arrependido do uso excessivo de ênfases, mas aparentemente muito interessado na minha reação.

– Não me parece muito eficaz a sua revolução – fiz com um copo um gesto que abarcava a propriedade. – Você não tem televisão em casa, mas um bilhão de brasileiros está assistindo o Big Brother.

– É como uma revolução qualquer – ele relaxou na cadeira. – Para que funcione é preciso ver mais gente aderindo à violência contra o sistema. Abster-se da revolução é agora a prática revolucionária.
Baixei o copo e ponderei um longo tempo o que queria dizer.

– Nas revoluções anteriores era muito fácil conseguir a adesão das massas, porque o novo sistema a ser implantado oferecia vantagens muito evidentes. Já ninguém vai querer abrir mão da tecnologia e do capitalismo, como você faz, porque não há vantagem nenhuma nisso. Nenhuma vantagem evidente, quero dizer.

– O problema é que o capitalismo é uma revolução que esconde os próprios custos. É um produto que cada um deve vender a si mesmo, por assim dizer, um dia após o outro. E todos compram, porque o dia seguinte depende dessa venda.

– Tenho de reconhecer – baixei a voz, mas foi sem querer, – que a mais simples das operações, que é manter-se vendável (isto é, manter-se produtivo), requer o espaço da vida inteira. Mas, para quem está dentro, apenas o custo de sair do sistema parece maior. Tecnicamente todos sabem que não precisam de um novo celular, mas a revolução é exigente. E talvez por isso irresistível.

– Você entende agora por que O Senhor dos Anéis é uma metáfora tão adequada para o nosso tempo? – ele finalmente fechou a garrafa e colocou-a de lado. – Entende por que a trilogia de Tolkien exerce um fascínio tão grande, mesmo sobre os que não sabem articular a coisa nos nossos termos?

Levantei as sobrancelhas, sinceramente embaraçado, porque não via a conversa tomando aquela direção.

– Não tenho certeza – concedi. – A coisa que mais gosto no livro é que a solução corporativa falha miseravelmente, e o herói remanescente e eficaz só sobrevive inteiramente marcado pela amargura.

Ele sorriu.

– É formidável, mas não é disso que estou falando.

– E do que estamos falando?

– Da revolução – João do Pó cortou mais uma fatia de laranja e derrubou no seu copo. – Tolkien moldou sua história a partir dos grandes épicos e clássicos que tanto admirava, mas com uma diferença. As antigas epopeias narravam a busca por algum objeto poderoso, e as dificuldades que os heróis encontravam no caminho.

– Entendi – senti o rosto queimar, mas entendi também que o profeta faria questão de articular por completo o seu argumento.

O Senhor dos Anéis é precisamente o contrário. Se você pensar, é uma anti-busca. O desafio dos heróis é destruir um objeto poderoso, não encontrá-lo.

– E fica demonstrado que não é nada fácil.

– Especialmente porque o poder representa uma tentação para os próprios heróis. Quem vai querer abrir mão de um artefato que representa uma vantagem tão evidente?

– Pouca gente – concordei. – E mesmo os que o fizerem estarão marcados para sempre pela tentação de possuí-lo.

– O desafio da nossa era – ele disse – não é outro.

Nesse momento um vaga-lume aceso, que não tínhamos notado quando entrara, voou ao redor de nós como uma fada e pousou precisamente no topo da garrafa que nos separava.

Calamos os dois, o pensador de gravata e o pensador com terra debaixo das unhas das mãos. Estávamos ambos descalços, e de fato nossos pés se tocavam sem grande constrangimento debaixo da mesa, mas aparentemente não seguíamos para o mesmo lugar. Ou a mesma pessoa.

Então, pela moldura de tela que protegia a porta aberta da frente, vi que alguém se aproximava pelo pasto escuro guiado por uma lanterna.

– Você está esperando alguém para jantar? – eu perguntei, e meu tom, para meu embaraço, foi quase de repreensão.

– Nunca espero ninguém, mas isso não quer dizer que qualquer um não possa chegar – ele explicou, e ouvimos que se abria o portãozinho do jardim.

Cinco minutos mais tarde esvaziei o copo, pedi licença e lembrei que estava na hora de ir indo.

Autor: Paulo Brabo postado em Bacia das Almas

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Humanize-se

 
Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com coração contente o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras.

Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.

Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, que tu fizeste debaixo do sol.

Eclesiastes 9.7-9

Tuiteiros e Cia.

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Imagem via Bacia das Almas

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Morte aos Comentaristas


   O cerne da mensagem do Reino, conforme enunciado por Jesus, é tão escandalosamente revolucionário e exigente que nós cristãos tratamos de aparar suas arestas mais escandalosas (todas elas), de modo a que ele não pudesse causar estrago e constrangimento a ninguém – em especial a nós mesmos.

   Como resultado desse eficaz trabalho de domesticação, todo o tipo de barbaridade foi e é efetuado pelos cristãos em nome de Deus – mas, como aprendi com o Serqueira, sem firma reconhecida. Desnecessário olhar para trás e contemplar as Cruzadas. Nos nossos dias aquele que reivindica para o si o título de país mais Verdadeiramente Cristão™ da Terra é também o mais beligerante e consumista – sendo que a proclamação do o Reino exige de forma inequívoca e intransigente o baixar de armas e a simplicidade de vida.

   Os fundamentalistas evangélicos norte-americanos, defensores últimos da integridade do evangelho, sustentam que é horrenda ofensa não crer na Bíblia literalmente. Eles de fato crêem literalmente, mas de forma cuidadosa e seletiva: isto é, quando lhes convém.

   Os fundamentalistas e seus asseclas crêem que o Gênesis está falando em dias literais quando afirma que o mundo foi criado em sete dias; mas ensinam que Jesus não estava falando numa espada literal quando sentenciou: “Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão”. O nascimento virginal de Jesus deve ser entendido literalmente e seria blasfêmia sugerir o contrário; mas já Jesus não deve ser entendido literalmente quando nos convida a amar os inimigos, a emprestar sem esperar receber de volta, a oferecer a outra face, a dar liberalmente a quem pedir, a renunciar a toda pretensão de poder, a colocar o outro em primeiro lugar, a não ajuntar tesouros na terra, a renunciar a tudo para segui-lo, a nos fazermos frágeis e despretensiosos como criancinhas, a dar a vida pelos amigos.

   Mais fácil é fazer-se de louco e ater-se, como fazemos invariavelmente, a lateralidades. Ninguém quer se dar ao luxo de ponderar que talvez o evangelho seja incompatível com o belicismo, a acumulação insana de bens, o egocentrismo institucional e o capeta-lismo (como dizia o velho profeta carioca Gentileza). O que Jesus disse é, na prática, irrelevante à nossa pretensão de sermos seguidores dele. Estamos protegidos do Indomável pela nossa interpretação à prova de balas das suas palavras.

   Naturalmente, estou chovendo no molhado quando falo sobre esse assunto – e olhe que volto sempre a ele. Se, falando da forma mais clara, o aclamado Søren Kierkegaard não conseguiu abrir os olhos da galera, não serei eu. Já no século retrasado, e por excelentes razões, Kierkegaard exigia a cabeça dos que fazem de intermediar o significado da Bíblia sua profissão.

* * *

MORTE AOS COMENTARISTAS

   A enorme quantidade de intérpretes contemporâneos bíblicos tem prejudicado, mais do que auxiliado, nossa compreensão da Bíblia. Ao ler os comentaristas tornou-se necessário fazê-lo como quem assiste uma peça durante a qual a profusão de espectadores e de luzes impede, por assim dizer, que desfrutemos da peça em si – e somos premiados ao invés disso com pequenos incidentes. Para assistirmos à peça temos de aprender a ignorá-los, se possível, ou entrar por um caminho que não tenha sido obstruído.

   O comentarista tornou-se, na verdade, o mais prejudicial dos intermediários. Se você deseja entender a Bíblia, certifique-se de lê-la sem um comentário. Pense em dois amantes. A amante escreve uma carta ao seu amado. O amado está por acaso interessada no que os outros acham da carta? Não irá lê-la sozinho? Em outras palavras, nunca lhe passaria pela cabeça lê-la com o auxílio de um comentário. Se a carta da amante estivesse escrita num idioma que ele não compreende – ora, ele por certo aprenderia a língua, mas com certeza não a leria com a intermediação de comentários. Esses de nada adiantam. O amor pela sua amada e sua prontidão em satisfazer os desejos dela tornam-no mais do que capaz de compreender a carta. É o mesmo com as Escrituras. Com a ajuda de Deus podemos entender a Bíblia muito bem. Todo comentário deprecia, e a pessoa que senta-se com dez comentários abertos e lê a Escritura… está provavelmente escrevendo o décimo-primeiro. Não está por certo lidando com as Escrituras.

Se você deseja entender a Bíblia, certifique-se de lê-la sem um comentário.

   Suponha agora que essa carta da amante possua o atributo único de que cada ser humano é o amado a quem ela se dirige. E agora? Deveríamos por acaso sentar e conferenciar um com o outro? Não, cada um de nós deveria ler essa carta apenas como indivíduo, como indivíduo singular que recebeu essa carta de Deus. Ao lê-la, estaremos preocupadas em primeiro lugar com nós mesmos e com nosso relacionamento com ele. Não concentraremos nossa atenção na carta em si, no fato de que essa passagem possa ser interpretada de uma forma e esta de outra – de forma alguma: o importante para nós será agir, e o mais cedo possível.

   Não é então algo singular ser o amado, e não nos dá esse algo uma vantagem que nenhum comentarista possui? Pense a respeito. Não somos nós os melhores intérpretes das nossas próprias palavras? E em seguida o amante e, em relação a Deus, o verdadeiro crente? Não devemos esquecer que as Escrituras são meras placas rodoviárias: Cristo, o amado, é o caminho. Morte aos comentaristas!

   A questão é simples. A Bíblia é muito fácil de entender. Mas nós cristãos somos um bando de vigaristas trapaceiros. Fingimos que não somos capazes de entendê-la porque sabemos muito bem que no minuto em que compreendermos estaremos obrigados a agir em conformidade. Tome qualquer palavra do Novo Testamento e esqueça tudo a não ser o seu comprometimento de agir em conformidade com ela. Meu Deus, dirá você, se eu fizer isso minha estará arruinada. Como vou progredir na vida?

   Aqui jaz o verdadeiro lugar da erudição cristã. A erudição cristã é a prodigiosa invenção da igreja para defender-se da Bíblia; para assegurar que continuemos sendo bons cristãos sem que a Bíblia chegue perto demais. Ah, erudição sem preço! O que seria de nós sem você? Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo. De fato, já é coisa terrível estar sozinho com o Novo Testamento.

Terrível coisa é estar sozinho com o Novo Testamento.

   Abro o Novo Testamento e leio: “Se você quer ser perfeito, venda todos os seus bens e dê aos pobres, e venha me seguir”. Meu Deus, se fôssemos de fato fazer isso, todos os capitalistas, todos os funcionários públicos e empreendedores, toda a sociedade na verdade, seríamos reduzidos à condição de quase mendigos! Estaríamos em maus lençóis não fosse a erudição cristã! Louvado seja todo aquele que trabalha para consolidar a reputação da erudição cristã, que ajuda a refrear o Novo Testamento, esse livro perturbado que passaria por cima de nós uma, duas, três vezes se andasse à solta (quer dizer, se a erudição cristã não o refreasse).

   O que precisamos realmente, portanto, é de uma reforma que coloque até mesmo a Bíblia de lado. Sim, isso teria hoje em dia a mesma validade que teve o rompimento de Lutero com o papa. A presente ênfase em “voltar à Bíblia” tem, infelizmente, criado religiosidade a partir de uma trapaça erudita e literalista—mera manobra de diversão. Tragicamente, esse tipo de conhecimento tem gotejado gradualmente sobre as massas, de modo que hoje em dia ninguém é mais capaz de simplesmente ler a Bíblia. Todo nosso saber bíblico tornou-se nada além de uma fortaleza de desculpas e escapes. Quando se trata de existência, de obediência, há sempre algo de que devemos cuidar antes. Vivemos sob a ilusão de que devemos primeiro ter a interpretação correta ou a crença em sua forma perfeita antes de podermos começar a viver – quer dizer, nunca chegamos a fazer o que a Palavra diz.

   A igreja vem há muito precisando de um profeta em temor e tremor que tenha a coragem de proibir o povo de ler a Bíblia. Sou tentado, portanto, a fazer a seguinte proposta. Coletemos todas as nossas Bíblias e juntemo-las em algum lugar aberto ou no alto de uma montanha e então, enquanto todos ajoelhamos, alguém fale com Deus da seguinte maneira:

“Leve esse livro de volta. Nós, cristãos, tais como somos, não somos aptos a nos envolver com tal coisa; ela apenas nos torna orgulhosos e infelizes. Não estamos prontos para ela.”

   Em outras palavras, sugiro que nós, como os aldeões cujo rebanho de porcos arrojou-se na água e afogou-se, imploremos a Cristo que “retire-se de nós” (Mateus 8:34). Isso pelo menos seria um discurso honesto – algo muito diferente da erudição nauseante e hipócrita tão prevalente hoje em dia.

   Em vão a Bíblia comanda com autoridade. Em vão ela admoesta e implora. Não ouvimos – isto é, ouvimos a sua voz apenas pela intermediação/interferência da erudição cristã, dos especialistas que tiveram treinamento adequado. Da mesma forma que um estrangeiro exige os seus direitos numa língua estranha e ousa apaixonadamente dizer palavras ousadas ao enfrentar autoridades do Estado – mas veja, o intérprete que deve traduzi-las para as autoridades não ousa fazê-lo, substituindo-as por alguma outra coisa – assim soa a Bíblia através da erudição cristã.

“Leve esse livro de volta.”

   Afirmamos que a erudição cristã existe especificamente para nos ajudar a entender o Novo Testamento, a fim de que melhor possamos ouvir a sua voz. Nenhum lunático, nenhum prisioneiro de estado foi jamais confinado dessa forma. No que diz respeito a eles, ninguém nega que estão trancafiados, mas as precauções contra o Novo Testamento são ainda maiores. Nós o trancafiamos, mas argumentamos que estamos fazendo justamente o contrário, que estamos zelosamente engajados em ajudar a que ele ganhe clareza e controle. Por outro lado, naturalmente, nenhum lunático ou prisioneiro de estado poderia ser mais perigoso do que o Novo Testamento caso se permitisse que ele andasse à solta.

   É verdade que nós, protestantes, empreendemos grandes esforços para que cada pessoa possua sua própria Bíblia – até mesmo em seu idioma nativo. Ah, mas como são grandes os esforços para imprimir sobre todos a noção de que ela só pode ser compreendida através da erudição cristã! Essa é nossa situação atual.

O que tentei demonstrar aqui pode ser declarado sem dificuldade:

Tenho desejado fazer as pessoas darem-se conta e admitirem que acho o Novo Testamento muito fácil de entender, mas tenho encontrado até agora a maior dificuldade para agir de forma literal em conformidade com o que ele diz tão claramente. Talvez eu pudesse ter tomado outra direção; poderia ter inventado uma nova espécie de erudição, dando à luz ainda outro comentário, mas estou muito mais satisfeito com o que fiz – uma confissão sobre mim mesmo.

Søren Kierkegard, Provocations

Vi em: Bacia das Almas

sábado, 23 de outubro de 2010

Ame os que o odeiam


Ame os que o odeiam

43 Ouvistes o que foi dito: "Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo".

44 Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;

45 para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus, pois que Ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.

46 Porque se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos igualmente assim?

47 E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de notável? Não agem os gentios também dessa maneira?

48 Assim sendo, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai que está nos céus.

   O termo publicano (palavra latina com origem no grego telõnês) denominava um coletor de impostos a serviço do império romano. Esses homens eram odiados por causa da impiedade com que exploravam o povo. Para os judeus, o publicano era imundo, pois estava sempre em contato com os gentios. A palavra “publicano” tornou-se sinônimo de egoísmo, desonestidade, falsidade, impiedade e incredulidade. Gentios (em hebraico gôyïm e do grego ethnikoi ou Hellênes traduzido pela Vulgata, em latim, como gentiles) era um termo geral para significar “nações”. Entretanto, na época de Jesus, esse termo era usado pelos judeus para se referir, em tom discriminatório e preconceituoso, a todas as pessoas que não fossem israelenses. Para os mestres e doutores da Lei, os “gentios” eram idólatras, imorais e pecadores. Um judeu chamado de gentio significava um publicano; ou seja, uma pessoa impura, incrédula, mau-caráter, inescrupulosa, impiedosa e digna de todo o desprezo. Jesus resgata o valor real dos “gentios” (das nações) e convida a todos para Seu Reino (Rm 1.16; Cl 3.11; Gl 2.14; Ap 21.24; 22.2). Jesus conclui essa parte do seu ensino revelando o segredo da ética cristã: o amor deve fazer muito mais do que a obrigação. Este foi o testemunho de Cristo e este deve ser o objetivo maior dos cristãos: buscar o amor perfeito do Pai e agir assim, como filhos amados de Deus, para que outros vejam a luz de Cristo e sejam libertos das trevas deste mundo.

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   É para isso que Jesus nos chama, para carregar a cruz. Mas nos anima e sustem pois está junto de nós e já venceu o mundo. Ele nos chama para implantar o reino dos céus hoje mesmo aqui na terra, seguindo os seus mandamentos. Você está disposto a isso? Está disposto a ajuda na batalha contra o mal no mundo, não tendo sua própria vida como preciosa? Negue a si mesmo e assim conhecerás a Verdade e a Verdade te libertará, não é um segredo para vencer, pois não buscamos sucesso e conhecimento do mundo... pelo contrário. Mas mesmo diante de más circunstâncias a Salvação e a nova vida que ganhamos pela Graça não deixará que você se desanime. Fica o convite do Rei dos Reis:

Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Marcos 8:34

Fonte: Bíblia versão King James.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ser Cristão?


Certa vez o frei Leonardo Boff perguntou para o Dalai Lama: “Qual é a melhor religião?” Ele respondeu: “A melhor religião é aquela que te faz melhor”. Boff retrucou: “O que me faz melhor?” Aquilo que te faz mais compassivo, aquilo que te faz mais sensível, mais desapagado, mais amoroso, mais humanitário e mais responsável, a religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião”.

Concordo com a resposta do Dalai Lama, aliás, eu penso que essa foi a resposta de Jesus, esse foi o foco do ministério de Jesus, Ele andou proclamando uma mensagem com o desejo de que essa mensagem produzisse um tipo diferente de pessoas. Jesus não falou em levar pessoas para o céu, Jesus falou sobre trazer o céu para a existência.

Você me pergunta: você acredita que iremos para o céu? Sim, acredito. Não sei como será, não sei onde é, não sei nada a respeito do céu, mas sei que iremos pra lá um dia.

Essa mensagem que diz: “Aceite a Jesus, siga as regras do cristianismo e você vai passar a eternidade no céu” é uma redução ao evangelho, porque se concentra em dizer que a mensagem de Cristo entra em ação no dia da morte. Coisa triste pensar assim, deixamos de experimentar os valores do reino que geram razão, alegria e força para viver, e passamos a viver cumprindo um apanhado de regras para ir pro céu.

Jesus fala para as pessoas de um jeito de viver e não de uma vida bem sucedida pós-morte, ele convoca a uma postura pro agora, uma decisão para existir com saúde espiritual. Céu é consequência, é depois.

A espiritualidade cristã pressupõe avaliação, pressupõe auto-crítica, convoca os seguidores de Cristo a tomarem cuidado para não perder a alma.

Pense:

Você é livre e Cristo quer que você use sua liberdade para produzir vida.

Você tem a vida sob os seu cuidados. Quem toma as decisões é você. Quem decide o pai que você é? Quem determina a maneira que você trata seus empregados ou seus colegas de trabalho?

Deus não traçou seu caminho já com tudo decidido e tudo encaminhado. Não, é sua a responsabilidade de zelar por aquilo que você está fazendo, é você quem tera que lidar com as consequencias dos seus atos.

A bíblia mostra que somos livres, quando nos convida a uma postura, quando nos convoca a encarmos nossas responsabilidades, o fato de Jesus pregar, falar para mostrar o valor da coisas revela que você pode ir por outros meios, você tem como decidir isso, a vida é sua.

João Batista pregava o evangelho convocando a transformação de idéias, aquilo que o Ronald Sider chamou de expansão de consciência.

A biblia diz que onde o Reino de Deus acontece há perdão de pecados, mas não é só isso, não é simplesmente aceitar esse perdão e continuar com a mesma vida adultera, materialista, racista e egoista de antes, porque se não houver esse tipo de transformação é porque você ainda não experimentou uma salvação existêncial que muda a maneira de pensar e a vida é um verdadeiro inferno.

Creio que ser cristão é entrar numa dinâmica relacional, onde confessamos Cristo como nossa verdade e essa verdade começa a infiltrar em todas as áreas da nossa vida e assim somos dia a dia moldados a imagem de Jesus até que seremos como Ele é, nesse dia seremos revestidos de toda a verdade e um verdadeiro céu acontece no coração.

Autor: Villy Fomin, disponível em Emeurgência.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Variedade é Satisfação?



E o rei Salomão amou muitas mulheres estranhas, e isso além da filha de Faraó, moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias, das nações de que o SENHOR tinha dito aos filhos de Israel: Não entrareis a elas, e elas não entrarão a vós; de outra maneira, perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se uniu Salomão com amor. E tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração. 1 Reis 11.1-3

   O desejo de uma pessoa pela variedade manifesta-se geralmente por meio de um comportamento obsessivo. A pessoa nunca se satisfaz, conforme provado pelos excessos da vida de Salomão. Lembro-me de, certa vez, ter passado a noite inteira com duas mulheres e, menos de 15 minutos depois de deixá-las na manhã seguinte, avistei uma prostituta pela qual eu era atraído e contratei seus serviços — eu não tinha ficado satisfeito o suficiente. Uma pessoa viciada na variedade jamais ficará satisfeita. Cada filme pornográfico só será excitante até ter sido "capturado" ou de alguma maneira experimentado, tornando-se depois obsoleto. Esses mesmos sentimentos podem ser atribuídos ao "Don Juan" que quer conquistar mulheres. Cada uma será usada até ele terminar com ela, e então ele procurará novas aventuras. A variedade é provavelmente a maior mentira que Satanás dá à atividade ilícita.

   Quando eu estava na minha vida de pecado, ficava obcecado pela idéia de um certo tipo de mulher, uma loira, por exemplo. Depois de seduzir uma e tê-la experimentado o suficiente para estar "satisfeito", eu me encontrava hipnotizado com o pensamento de um tipo diferente de mulher, talvez uma morena alta. Depois de seduzir uma morena, eu voltava a pensar em loiras, ou ruivas ou quem quer que fosse. Eu continuava a ser enganado, acreditando que, se eu pudesse ter um tipo particular de mulher, eu me satisfaria. Na realidade, nunca estava satisfeito, nem nunca estaria. A variedade é indubitavelmente a razão primária para a maioria do comportamento sexual ilícito. O mundo promove a variedade como o tempero da vida. Eu digo que essa é uma mentira vazia de Satanás.

Trecho do Livro:  No Altar da Idolatria Sexual do autor Steve Gallagher

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Tomando a Pílula Vermelha


   Você já se sentiu deslocado, como se não se encaixasse? Já notou que ninguém te entende, nem seus pais, nem o pastor, nem a igreja? Que todos querem que você seja mais um na multidão? Vestibular, faculdade, profissão, futuro, cobrança de todos os lados… “Bem-vindo ao esquema dos adultos. Aperte o cinto e prepare-se para ser assimilado!”. E se eu dissesse que você realmente tem razão em se sentir assim? Que tudo que você vive é fruto de um “sistema de controle” muito bem elaborado que serve para impedir que você perceba a verdade?

   Em Matrix, sucesso do cinema, a humanidade vive encapsulada, num estado de coma, servindo como fonte de energia para as máquinas. Para que isso seja possível, as máquinas mantêm a mente das pessoas presas numa construção de software que simula um mundo real. Imagine esse software como um SecondLifei, ou um The Simsii. Seria como uma construção virtual de um supercomputador inteligente como o Skynetiii em O Exterminador do Futuro. Uma simulação perfeita onde você pensa estar vivendo normalmente. Tão perfeita que você jamais suspeitaria não ser real. Neo se encontra na mesma situação vivendo uma vida sem sentido. Vivendo num programa de computador: a Matrix.

   Nem todos vivem na Matrix. Alguns conseguiram ter suas mentes libertas e lutam contra as máquinas para libertar o máximo de pessoas dessa prisão psiquista. Um dos líderes dos humanos livres, chamado Morpheus, entra em contato com Neo na Matrix: “Acorde, Neo”.

No filme, Morpheus conversa com Neo sobre sua inquietação:

“Você (Neo) veio aqui porque sabe de algo. Você não consegue explicar o que sabe, mas o sente. Tem sentido a vida inteira; tem sentido que há algo errado no mundo. Você não sabe o que é, mas existe, como uma farpa na mente, que o faz enlouquecer”.

   Neo vive esperando acordar de um sonho muito real. E por acreditar que é um sonho, mesmo sabendo que alguma coisa está errada, ele se conforma com a realidade e espera por um milagre que o faça enxergar a verdade. Neo quer descobrir o que é a Matrix e aceita o convite de Morpheus para conseguir as respostas para as tantas perguntas que ele tem.

No filme temos o famoso diálogo entre Morpheus e Neo:

Morpheus: Você a sente quando vai para o trabalho quando vai à igreja, quando paga seus impostos. É o mundo que foi colocado diante dos seus olhos para que você não visse a verdade.

Neo: Que verdade?

Morpheus: Que você é um escravo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro, nasceu numa prisão que não consegue sentir ou tocar. Uma prisão para sua mente. Infelizmente, é impossível dizer o que é a Matrix. Você tem de ver por si mesmo. Esta é sua última chance. Depois não há como voltar. Se tomar a pílula azul, a história acaba, e você acordará na sua cama acreditando no que quiser acreditar. Se tomar a pílula vermelha ficará no País das Maravilhas e eu te mostrarei até onde vai à toca do coelho. Lembre-se, tudo que ofereço é a verdade. Nada mais.
   E você? Já teve a sensação de que está sendo manipulado? E se a igreja fosse uma Matrix? E se tudo que aprendeu, ouviu e viu não passa de um sistema de controle institucionalizado? E se o Jesus que te apresentaram não passa de um poderoso artifício de enganação? E se o Evangelho que te ensinaram foi convenientemente distorcido?

   E se você tivesse a mesma oportunidade de Neo de saber a verdade, o que você escolheria? A pílula vermelha ou a pílula azul? Responsabilidade ou comodidade? Realidade ou ilusão? Fazemos opções todos os dias, e elas definem o que somos. Escolhendo a pílula azul, você teria uma vida de satisfação inadvertida: frequentando regularmente a igreja, esperando felicidade, alegria e prosperidade entregando seu dízimo, cantando e orando, ouvindo os sermões, participando dos eventos da igreja e evitando questões profundas que poderiam tirá-lo da zona de conforto e ignorância. Tomando essa pílula, não é preciso se preocupar com o que pregam ou fazem. Mas, escolher tomar a pílula vermelha significa que você está cansado de ser uma simples marionete do sistema religioso. Que está exausto de estar na igreja para apoiar o pastor ou o ministério. Só para passar uma imagem de um jovem crente bem ajustado. Tomar a pílula vermelha quer dizer que você quer ser realmente livre.

   A igreja como está é um sistema de manipulação de mentes. É uma prisão de quatro paredes. Uma bolha onde a consciência coletiva é controlada através de hierarquia, proibições, liturgias, regras, costumes e tradicionalismos que acabam por programar as pessoas a não pensar e não criticar. Esse sistema religioso como tal, se alimenta sugando a energia dos membros: tempo, dinheiro, talento, dons e família. Você vive alienado do mundo, indiferente às questões mais urgentes da sociedade. Cria-se uma subcultura “gospel” deixando cada vez maior o abismo entre os que necessitam das boas notícias de Cristo, e aqueles que foram chamados para levar essas boas notícias aos que necessitam. A palavra igreja vem do grego ekklesia que significa “chamados para fora”. Contudo, esse sentido há muito se perdeu, visto que cada vez mais os cristãos se trancafiam em seus templos e vivem vidas totalmente irrelevantes para a sociedade.

   Cristo nos chamou para sermos sal e luz da terra e, para tal, precisamos sair de debaixo da mesa, nos libertar da igreja que existe como uma Matrix, e realmente sair para fora desse “sistema de controle”, e saber discernir o que andam ensinando nos púlpitos. Jesus discerniu e viveu fora do sistema religioso de sua época de maneira que isso irritou tanto os líderes que quiseram matá-lo. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou das trevas, por isso não devemos nos submeter novamente a nenhum jugo de escravidão, muito menos um jugo religiosoiv. Deixemos de ser preguiçosos e de nos conformar com tudo que nos jogam goela abaixo. Sejamos transformados pela renovação da nossa mente em Cristo, através da Bíbliav.

   Você pode escolher ser responsável por quem é, e por quem se torna em Cristo, ou pode escolher ser mais um na multidão, mais uma mente presa e manipulada, um zero à esquerda, um robozinho programado para fazer o seu serviço e não incomodar. Pode escolher sair da Matrix, sair da caixa e fazer diferença na vida dos amigos, da família e da sociedade. Ou você pode escolher ser um crente desinteressado, distante e alienado vivendo uma falsa realidade dentro das quatro paredes de um templo, e nunca conhecer o “deserto do realvi” onde as pessoas têm sede de conhecer a Verdade que veio para libertar. Ou você pode escolher viver radicalmente tudo o que Jesus ensinou e ser como Cristo convivendo, caminhando junto, entendendo o problema do outro, vivendo, perdoando e amando. Você pode escolher tomar a pílula azul e continuar sendo um crente que não faz diferença e continuar a alimentar o sistema religioso que não tem compromisso com as pessoas e suas necessidades reais. Ou você pode escolher tomar a pílula vermelha e seguir os passos de Cristo, discernindo lobos em pele de ovelha e suas mensagens enganosas, e tendo curiosidade pela Bíblia, permanecendo nas Palavras de Jesus, para que conheça a verdade, e a verdade o libertevii.

   Parafraseando Trinity no filme, “é a pergunta que nos move”. Você tem sede de saber a verdade? Tem perguntas a serem respondidas? Tem dúvidas a serem sanadas? As dúvidas são essenciais para o desenvolvimento da fé. Muitos crentes acham que sua igreja tem todas as respostas e estas por sua vez nunca abrem espaço para questionamentos ou dúvidas. Para piorar, muitas vezes, as únicas respostas que a igreja tem são precárias ou manipuladoras. Quer saber até onde vai a toca do coelho? Quer ser realmente um discípulo de Cristo, livre, responsável, que pensa, entende, busca, raciocina e atende ao chamado de Jesus para sair para fora da Matrix? Uma vez fora do “sistema religioso de controle e manipulação” você pode fazer como Neo e agir no sistema para libertar os que ainda estão presos e sendo usados para inchá-lo.

   Que tal criar uma nova versão do software do Cristianismo, depurando o código fonte? O que acha de deixar de ser um agente da Matrix e começar a ser um revolucionário como Jesus, e tornar-se um agente de mudança? Então tome a pílula vermelha… mas, lembre-se tudo que ofereço é a verdade, nada mais.

Notas:

i O Second Life é um ambiente virtual e tridimensional que simula em alguns aspectos a vida real e social do ser humano. Foi desenvolvido em 2003 e é mantido pela empresa Linden Lab. Dependendo do tipo de uso pode ser encarado como um jogo, um mero simulador, um comércio virtual ou uma rede social. O nome “second life” significa em inglês “segunda vida” que pode ser interpretado como uma “vida paralela”, uma segunda vida além da vida “principal”, “real”. Dentro do próprio jogo, o jargão utilizado para se referir à “primeira vida”, ou seja, à vida real do usuário, é “RL” ou “Real Life” que se traduz literalmente por “vida real”. (Wikipédia)

ii The Sims é uma série de jogos eletrônicos de simulação de vida, criado pelo designer de Jogos Will Wright e distribuído pela Maxis. Com o lançamento inicial do primeiro jogo em Fevereiro de 2000. São jogos onde se podem criar e controlar as vidas de pessoas virtuais (chamadas de Sims). O jogo atraiu legiões de fãs, devido a sua simplicidade e objetividade. Hoje em dia, existem plataformas de The Sims para PC, Celular, Nintendo DS, Playstation 2 e outros. (Wikipédia)

iii Quando em 1997, um supercomputador inteligente, Skynet, decide eliminar todos os seres humanos, que vê como uma ameaça, provoca um holocausto nuclear, que dizima grande parte da população. Inicia-se então uma guerra entre os poucos sobreviventes, e os cyborgs Exterminadores criados por Skynet para destruir os últimos humanos. Apesar das poucas hipóteses, os humanos liderados por um homem chamado John Connor, ganham vantagem. Perante a eminência da derrota, Skynet envia um dos cyborgs numa viagem no Tempo, para o passado nos anos 80, antes da guerra, com o objectivo de assassinar a mãe do líder da Resistência, Sarah Connor, antes mesmo de este nascer. Para protegê-la, a Resistência consegue também enviar um protector humano, Kyle Reese.(Wikipédia)

iv Paráfrase de Gálatas, Capítulo 5, Versículo 1.

v Paráfrase de Romanos, Capítulo 12, Versículo 2.

vi Conceito de Simulacros e Simulação, de Jean Baudrillard. Quem vive no deserto do real existe num mapa, não num territóro; o que se acredita ser real é uma cópia sem original.

vii Paráfrase do Evangelho de João, Capítulo 8, Versículo 32.

O autor desse ótimo texto é Thiago Medanha, o texto original está disponível no site do mesmo: Thiago Medanha

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O que Pode e o que não Pode?


   No capítulo quatorze de Romanos o apóstolo Paulo responde claramente essa questão sobre o que podemos ou não fazer. Leia com atenção pois a simples leitura já esclarece a questão. Conforme a tradução João Ferreira de Almeida Corrigida e Revisada:

1 Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas.

2 Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes.

3 O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu.

4 Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar.

5 Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente.

6 Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.

7 Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si.

8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.

9 Porque foi para isto que morreu Cristo, e ressurgiu, e tornou a viver, para ser Senhor, tanto dos mortos, como dos vivos.

10 Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo.

11 Porque está escrito: Como eu vivo, diz o Senhor, que todo o joelho se dobrará a mim, E toda a língua confessará a Deus.

12 De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.

13 Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão.

14 Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda.

15 Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu.

16 Não seja, pois, blasfemado o vosso bem;

17 Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.

18 Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens.

19 Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros.

20 Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo.

21 Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça.

22 Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova.

23 Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado.

   Como visto não existe comida nem bebida imundas em si próprias. Não existe algo como do tipo: “Comer/beber isso é errado e pecado você não deve fazer!” Como Paulo mesmo falou “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda.” O mesmo serve para músicas que ouvimos ou lugares que freqüentamos, não existe nada de errado em si mesmo nas musicas ou festas do “mundo”. Ouvir a música de um artista que você gosta que não seja cristão mesmo que suas músicas não falem de Jesus ou mesmo ir ao show desse artista não é um pecado em si mesmo. Mas preste muita atenção nesse ponto: se existe algo que te faz tropeçar ou lhe enfraquece você não deve faze-lô. Se você sabe que beber vai lhe fazer mal não o faça, mas não condene o seu irmão que bebe, e você que bebe não menospreze o seu irmão que não bebe. Alem disso se você costuma fazer alguma coisa mas estando na presença de outra pessoa sabe que isso pode prejudicá-la, deve da mesma forma se abster de praticar esse comportamento. Esse discernimento é muito importante nos dias de hoje pois existem determinadas denominações que não praticam certos comportamentos como não ingerir bebidas alcoólicas por exemplo, até ai tudo bem o problema é quando afirmam que isso é um pecado e que todos que o fazem estão em pecado. Como vimos a Palavra infalível de Deus não condena comida nem bebida, mas mostra como devemos nos comportar diante dessas situações.

Que nosso amado Senhor Jesus seja para com todos vocês leitores, bom feriado até a próxima!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Que Aconteceu de Errado?



    Qualquer pessoa, com um censo crítico, ao analisar a situação da humanidade desde os seus primórdios até os dias de hoje deveria fazer essa pergunta... o que aconteceu de errado com nós? Porque sofremos? Porque às vezes nos sentimos tristes? Porque nunca nos satisfazemos completamente com o que o mundo pode proporcionar? Porque existe tanto mal? Ou seja, o que aconteceu de errado?

   O homem vem “evoluindo” intelectualmente durantes milhares de anos em várias áreas: engenharia, matemática, física, filosofia, saúde entre outras, mas mesmo assim nunca conseguiu resolver os problemas que o afligem. Platão escreveu A República onde imaginou uma sociedade perfeita, quando o próprio teve a oportunidade de governar não conseguiu colocar isso em prática. O homem debate, estuda, cria projetos, faz revoluções, tenta mudar o mundo, continua caminhado sozinho tentando acabar com todas as mazelas que o afligem.

   Não é nem preciso ir muito longe para perceber que algo está errado. Olhe para sua própria vida. A casa que ontem você sonhava, hoje não te agrada mais. Os ideais pelos quais você luta não dão um significado verdadeiro para a sua vida. Os valores que você busca possuir não te trazem significativa realização. As festas, o status, a “alegria” (que está entre aspas, pois é uma alegria temporária) que o mundo dá não preenche por completo o seu coração, os prazeres que você tenta lhe proporcionar nunca te deixam realmente satisfeito e completo, pelo menos não por muito tempo, até que você precise de mais uma dose: de consumo, de reconhecimento, de drogas, de aplausos, de prazer sexual. Você se satisfaz por um curto período de tempo, mas logo precisa de mais.

   O ser humano ao longo dos anos tem inventado diversas formas de tentar preencher esse vazio. Alguns objetivam a negação do eu e dos desejos, vivendo um desapego para dessa forma se ver livre de todo o sofrimento. Outros criam para si próprios deuses, conforme suas vontades, e lhe atribuem características que admiram e passam a cultuá-lo. Alguns passam a viver conformados com o segredo do universo, que nada mais é do que viver vazios como todos os outros, dizem não existir nenhuma resposta, nada absoluto e se acomodam a isso.

   O que aconteceu de errado? A resposta não é longa, nem complicada: o homem preferiu viver sozinho seguindo seu próprio pensamento, e dessa forma recebeu toda a recompensa: guerras, morte, doenças, sofrimento, confusão e vazio. Não é pessimismo é a realidade, observe e conclua.

   Aconteceu algo muito errado mais a “solução” foi perfeita e 100% eficaz. O fato é que o homem foi criado para viver completamente alegre e satisfeito em comunhão com o seu Criador mas preferiu desobedecê-lo e assim recebeu a recompensa lógica desse ato: vazio e solidão, por ter decidido viver afastado da fonte de agua viva. Mas o nosso Criador pelo seu imenso amor a nós, não nos deixou abandonados. Mesmo sendo negligenciado, negado e posto de lado não deixou de nos amar, pelo contrário amou tanto que enviou seu Filho para que sobre ele recaíssem todos os pecados do homem, e todo aquele que tem fé e aceita esse presente passa a ter o espírito renovado, justificado e também filho e herdeiro de Deus. Passa a ser liberto do pecado e encontrando a única e perfeita paz, não a que o mundo dá. A verdade vem e nos liberta da mentira e do Enganador que nos enganou. A vida tem um significado real e um objetivo... na verdade ela sempre teve mas não enxergávamos.

   Nunca é tarde para receber esse presente, procure pelo Senhor e Salvador Jesus Cristo, é de Graça.

E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.
 
E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. 
Apocalipse 21.4-5


Um Galão de Leite


   Eram aproximadamente 10 horas quando um jovem começou a dirigir-se para casa. Sentado no seu carro, ele começou a pedir: - " Deus! Se ainda falas com as pessoas, fale comigo. Eu irei ouvi-lo. Farei tudo para obedecê-lo"

   Enquanto dirigia pela rua principal da cidade, ele teve um pensamento muito estranho: "Pare e compre um galão de leite". Ele balançou a cabeça e falou alto: "Deus? É o Senhor?". Ele não obteve resposta e continuou dirigindo-se para casa. Porém,novamente,surgiu o pensamento:" Compre um galão de leite".O jovem pensou em Samuel e como ele não reconheceu a voz de Deus, e como Samuel correu para Ele. "Muito bem, Deus! No caso de ser o Senhor, eu comprarei o leite". Isso não parece ser um teste de obediência muito difícil...Ele poderia também usar o leite.

   O jovem então parou, comprou o leite e reiniciou o caminho de casa. Quando ele passava pela sétima rua, novamente ele sentiu um pedido: "Vire naquela rua". Isso é loucura... - pensou - e, passou direto pelo retorno. Novamente ele sentiu que deveria ter virado na sétima rua. No retorno seguinte, ele virou e dirigiu-se pela sétima rua. Meio brincalhão, ele falou alto: "Muito bem, Deus. Eu farei".

   Ele passou por algumas quadras quando de repente sentiu que devia parar. Ele brecou e olhou em volta. Era uma área mista de comércio e residência. Não era a melhor área, mas também não era a pior da vizinhança. Os estabelecimentos estavam fechados e a maioria das casas estavam escuras, como se as pessoas já tivessem ido dormir, exceto uma do outro lado que estava acesa. Novamente, ele sentiu algo: "Vá e dê o leite para as pessoas que estão naquela casa do outro lado da rua". O jovem olhou a casa. Ele começou a abrir a porta, mas voltou a sentar-se. "Senhor, isso é loucura. Como posso ir para uma casa estranha no meio da noite?". Mais uma vez, ele sentiu que deveria ir e dar o leite. Finalmente, ele abriu a porta..."Muito Bem, Deus, se é o Senhor, eu irei e entregarei o leite àquelas pessoas. Se o Senhor quer que eu pareça uma pessoa louca, muito bem. Eu quero ser obediente. Acho que isso vai contar para alguma coisa, se eles não responderem imediatamente, eu vou embora daqui".

   Ele atravessou a rua e tocou a campainha. Ele pôde ouvir um barulho vindo de dentro, parecido com o choro de uma criança. A voz de um homem soou alto: "Quem está aí? O que você quer?" A porta abriu-se antes que o jovem pudesse fugir. Em pé, estava um homem vestido de jeans e camiseta. Ele tinha um olhar estranho e não parecia feliz em ver um desconhecido em pé na sua soleira. "O que é? ". O jovem entregou-lhe o galão de leite. "Comprei isto para vocês". O homem pegou o leite e correu para dentro falando alto. Depois, uma mulher passou pelo corredor carregando o leite e foi para a cozinha. O homem a seguia segurando nos braços uma criança que chorava.

   Lágrimas corriam pela face do homem e, ele começou a falar, meio soluçando: "Nós oramos.Tínhamos muitas contas para pagar este mês e o nosso dinheiro havia acabado. Não tínhamos mais leite para o nosso bebê. Apenas orei e pedi a Deus que me mostrasse uma maneira de conseguir leite".

   Sua esposa gritou lá da cozinha: "Pedi a Deus para mandar um anjo com um pouco...Você é um anjo?"

   O jovem pegou a sua carteira e tirou todo dinheiro que havia nela e colocou-o na mão do homem. Ele voltou-se e foi para o carro, enquanto as lágrimas corriam pela sua face.

   Ele experimentou que Deus ainda responde os pedidos.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Inversão de Valores

Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Mateus 11:29


1. Se Jesus nos recomenda veementemente em seu Sermão do Monte total discreção em nossos feitos, em nossas ações beneficentes, orações, jejuns, atos de justiça e esmolas, tudo devendo ser feito em secreto, distante dos spots de luz, longe da aprovação dos homens, afastado dos aplausos das grandes platéias e como resultado direto disso, em segredo nosso Pai nos recompensará, e se o próprio Jesus disse que o que a nossa mão direita faz ignore a mão esquerda...

Como é que se explica essa avidez voraz de líderes por serem catapultados pra pedestais cada vez mais elevados, essa sofreguidão irrefreável de tantos outros em serem aplaudidos em mega eventos e em shows megalomaníacos de lucros imensuráveis, com o fim de serem visto pelos homens e enriquecerem às custas deles?

Pense...

2. Se Jesus que é o nosso Mestre e exemplo único a ser seguido disse que Ele próprio, sendo O Filho do Homem não tinha onde reclinar a cabeça, que deveríamos ter uma vida simples nos contentando com o que temos, sem pre-ocupações e as ansiedades, e se Paulo também nos exorta delatando a intrusão sorrateira de Satanás tentando induzir e enganar a igreja afastando-a da pureza e da simplicidade devidas a Cristo...

Como explicar o luxo gritante, a ostentação de casas em condomínios fechados elitizados, os carros importados, os seguranças, as viagens dispendiosas, e a vida nababesca de muitos líderes ditos evangélicos que arrebanham milhões de crentes simplórios e desavisados e arrancam milhões de reais de seus bolsos quase vazios e surrados?

Pense...

3. Tenho visitado a alguns anos um homem extraordinário. Não, não é um empresário bem sucedido ou um pastor executivo de uma mega congregação. Não. “Seu”Djalma mora num casebre mal acabado descendo uma ladeira no longíquo bairro Cidade de Deus em Manaus. Com 43 anos, não tem carro, graduação e dinheiro. No Natal não teve um grande banquete na ceia. Ganhou 5 panetones (um dos quais eu dei). Foi uma festa.

Sua aparência também não impressiona em nada.

Aliás, existe uma característica que complica mais ainda. Ele perdeu as duas pernas em um terrível acidente. Dono de si, brigão, bêbado, sobe no caminhão. A porta estava destravada. Caiu no vazio, na escuridão da estrada. A mente desaba em espiral rumo ao negrume da vestigem. Acordou no hospital, não sentindo as pernas. Conheceu quase todos os hospitais da cidade. Pernas necrozadas. Cheiro putrefato da morte. Membros amputados sem anestesia. Dor intensa, no corpo e na alma. Tristeza profunda, choro, dor, angústia. Decepção. A boca amordaçada pelas ataduras da dúvida atroz. A vida apagada já sem o brilho da motivação para simplesmente existir.

Um dia conheceu a Palavra de Deus. Recebe a mensagem libertadora do Evangelho meio à contra gosto. O poder do Evangelho despedaça a pedra dura do coração, transformando em fragmento de pó toda resistência humana. Esperança ressurge das brumas cizentas da incerteza. Fé imputada. Volta pra Deus. Alegria indizível.

É isso o que mais me impressiona no seu Djalma. A alegria esboçada em seu rosto de caboclo amazonense. O entusiasmo com que fala sobre Jesus. Os olhos brilham, o riso largo engrandece esse pequeno homem reduzido, fazendo exalar uma paz suave no ambiente empobrecido. Jesus entrou na minha vida e isso é tudo, diz ele.

...Não precisamos de muito para sermos pessoas felizes de verdade.

Isso não é super Interessante? Porque para a maioria das pessoas, para a sociedade essencialmente narcisista e consumista, ”seu” Djalma seria um nada, um zé-ninguém, um ser descartável que não produz, um aleijado que não gera dinheiro ou lucro pra ninguém.
Para Deus, entretanto, um gigante, um velocista de grandes distâncias.

Que grande inversão de valores!

Pense...

O autor desse belo texto é Manoel Silva Filho

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Igreja Primitiva


 E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.
Atos 2:42-47

   Essa é uma descrição de como era a igreja anos depois da ressurreição de Jesus, a igreja primitiva. Todos dividiam tudo o que tinham entre si conforme havia necessidade. Perseveravam nas orações e no estudar da Palavra. E mais: caindo na graça de todo o povo. O povo daquele tempo de certa forma admirava os cristãos. Hoje as coisas mudaram e já não é bem assim, as “maravilhas” às vezes são feitas somente para atrair mais e mais pessoas sei lá com que intenção no coração, poder quem sabe? A igreja parece inchar-se mas não cresce verdadeiramente. E muitas pessoas já não admiram os cristãos por causa de sua humildade e amor, como provavelmente era naquela época,  muitas vezes até detestam pois muitos são orgulhosos e soberbos. O que há de errado? Com certeza são as pessoas. O mesmo Espírito Santo que ajuda-nos hoje e a mesma Palavra que nos sustem são os que haviam na igreja primitiva, nós algumas vezes saímos do caminho. Existem muitas pessoas com certeza cheias do Espírito de Deus, que seguem verdadeiramente a Bíblia e os mandamentos de Jesus; amando  as pessoas e sendo humildes. Mas muitos só querem Jesus como um guru e a Bíblia como um livro de auto-ajuda, ou seja, para satisfazer suas vontades... não querem negar a si mesmos e entregar suas vidas, as vezes cometemos esse e outros tantos erros. Que possamos olhar como exemplo a igreja primitiva e tentar seguir esse caminho. Orar a cada dia perseverantes e confiantes de que Deus ainda quer fazer uma mudança no mundo através de nós e conseqüentemente uma mudança em nossa vida. Precisamos Dele, sem Ele não somos nada.


Que o Senhor e Salvador Jesus possa habitar em nosso coração e fazer grandes maravilhas!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Arrogância Nossa



   “Gosto do seu Cristo, mas não gosto dos seus cristãos”. A frase é de Mahatma Gandhi e vale reflexão. Se considerarmos que Gandi morreu sem Jesus e crendo que ratos e outros animais são deuses dignos de adoração [como a maioria da população da Índia crê], temos de admitir que os cristãos têm uma parcela de responsabilidade nisso. É duro aceitar, mas a nossa arrogância e nosso mau testemunho vêm sendo um entrave no alcance de muitas pessoas pela verdade de Jesus.

   Somos arrogantes sim. Sob a prerrogativa de que detemos a única chave possível de acesso a Deus, subimos em nosso pedestal, altivos em nossa crença. Lembro-me da passagem em que os discípulos tentavam impedir que crianças se aproximassem de Jesus, repreendendo aqueles que as levavam [Mc 10:13]. Ou quando os seguidores do Senhor repreenderam um cego que clamava por cura [Mc 10:46-48]. Muitos de nós, ao invés de levar as pessoas a Cristo, as repelimos com nossa arrogância, nosso preconceito e testemunho reprovável.

   Um dos grandes desafios dos cristãos, hoje, é passar a verdade de Cristo sem parecer orgulhoso e dono de si. Se a verdade não for sustentada pelo amor, torna o detentor da mensagem odioso e a verdade repulsiva.

   Nietzsche disse certa vez: “Passarei a acreditar no Redentor quando o cristão parecer um pouco mais redimido”. Penso que muitos intelectuais até admitem sentir admiração por Jesus, mas quando olham para nós, cristãos, acabam considerando não valer a pena seguir a um Cristo que arrebanha pessoas de caráter tão duvidoso.

   É por isso que não me canso de pregar aos jovens: “Parem de olhar para homens, olhem para Jesus”. Se Gandhi e Nietzsche o tivessem feito, talvez houvesse experimentado a “paz que excede todo o entendimento” [Fp 4:7], a paz que desconcerta todo intelectualismo solitário.

   Quanto a nós, cuidemos de descartar a arrogância nossa de cada dia, para que o mundo possa ver em nós o reflexo do amor simples de Jesus.

O autor do texto é Clóvis Cabalau, texto do Púlpito Cristão

Eu Amei um Homossexual !!



   Eu tinha aproximadamente 17 anos, quando eu tive minha primeira experiência com um homossexual, lembro-me como se fosse ontem, eu ia pegar um ônibus para ir até minha igreja, como eu fazia todos os finais de semana. Era por volta das 18h00 e meu ônibus sairia em 30 min, foi quando eu avistei um senhor bem vestido e muito simpático, ele não tirava os olhos de mim, eu estava sentado em um banco perto do ônibus e ele mais afastado, quando ele começou a piscar para mim. Lembro que fiquei bastante constrangido, mas tomei coragem e o convidei para se sentar ao meu lado. Prontamente ele atendeu ao meu pedido, ele já veio logo segurando na minha mão, e começou a tocar no meu cabelo. Pois com o mesmo sorriso que o chamei eu falei para ele o seguinte:
 
-Tudo bem com você? Meu nome é Robert, qual é o seu nome?

-Eu me chamo Marcos! Ele respondeu sorridente.

-Pois é eu só te chamei aqui porque eu queria que você soubesse que eu sou muito feliz!

Falei com um tom meio ousado.

-Eu já sei, você é feliz porque você tem muitos amigos assim “como eu”, por isso você é alegre!

Ele respondeu todo empolgado.

-Não exatamente, na verdade eu sou muito feliz, porque um dia eu fui “lavado e remido pelo sangue do
Cordeiro”. É sobre Ele que eu gostaria de te falar.

Respondi com firmeza.

-A não!!! Você é crente? Só me faltava essa…

Ele respondeu tirando as suas mãos de mim, e um tanto indignado.

   Como em nenhum momento eu demonstrei algum tipo de preconceito, e eu queria conhecer a sua história, conversamos sobre a sua vida e também sobre a bíblia. Interessante foi eu estar levando minha bíblia na mochila, uma Thompson antiga, ou seja, uma bíblia enorme.

À medida que passava um amigo do Marcos ele dizia:
-Ô Fulano, vem aqui esse é o Robert, ele é crente e não tem preconceito, ele quer falar sobre a bíblia com a gente.

   Naquele domingo eu não fui para o culto na igreja, eu fiz meu próprio culto em um banco de rodoviária cercado de vários homossexuais, alguns sentados ao meu lado e outros sentados no chão, eu com a minha bíblia gigante no colo, as pessoas que desciam dos ônibus, ou passavam por lá paravam para ver o que estava acontecendo. Não me preocupei em falar sobre salvação, pois todos eles já conheciam a respeito de Jesus, eu apenas falei sobre o amor e graça de Deus, muitas sementes foram plantadas naquela noite.

   Ao chegar em casa, eu chorei muito na ora de orar para dormir, o grande vazio e os valores distorcidos daqueles homens, me tocou profundamente. Eu questionei, porque nós cristãos nos calamos tanto para essas pessoas? Porque eles diziam que eu não tinha preconceito? Qual era a visão de um homossexual para com a igreja, e qual a visão da mesma para com eles? Porque nós cristãos nos fechamos para essas pessoas? Deus me respondeu que eu poderia e deveria amar um homossexual, pois só através desse amor ele poderia se encontrar em Deus.

   Talvez você esteja pensando agora: Seria correto eu subir no púlpito de uma igreja e dizer que eu amo um homossexual ou uma prostituta?

   Nos meus vários anos de experiência com rê-socialização, e missões noturnas, eu descobri não só na teoria, mas na prática que se não houver amor, nunca haverá recuperação, pois somente o amor verdadeiro, aquele que vem do alto, de Deus, o que não se limita à raça crédulo ou sexualidade definida, é que pode trazer um homem novamente ao convívio da sociedade.

   Ele ama incondicionalmente, mesmo quando nós não o merecemos, Ele ainda chora por nós, e sofre as nossas dores, porque ele odeia o pecado, mas sempre amou o pecador. Eu não tenho problema algum em subir em um púlpito para dizer em alta voz que eu já amei, e ainda amo um homossexual, isso porque eu conheci um cara que não teve vergonha de subir nu em uma cruz, só para dizer que ama os homossexuais, os pedófilos, as prostitutas, os ladrões, os drogados, entre outros pecadores como eu e você.

   Ainda hoje eu tenho muitos amigos, que cultivei nas ruas e nos prostíbulos, são eles travestis, prostitutas, drogados, alcoólatras, mendigos, clientes das drogas e da prostituição, verdadeiros desgraçados como eu, com a diferença de que eu fui alcançado pelo favor não merecido da parte de Deus. Isso não me torna mais ou menos amado por Deus, mas me da o privilégio de poder abençoar essas pessoas que também são queridas do Pai, quem os coloca à margem da sociedade somos nós, Deus os coloca como a coroa da criação a imagem e semelhança dEle mesmo.

   Durante minha caminhada cristã eu percebi falhas em meu caráter, principalmente quando eu rotulava essas pessoas sem conhecer suas histórias de vida, talvez você se identifique com uma dessas falhas, e Deus esteja te chamando para um relacionamento mais profundo com Ele.

   Descobri que se eu amo pessoas que supostamente tem uma vida santificada semelhante a minha pseudo-santidade, eu não passo de um homossexual gospel, tão somente porque a principal característica de um homossexual é que ele ama alguém do mesmo sexo, ou seja, alguém que se parece com ele. Se eu só quero amar meus irmãos da igreja, eu sou um homossexual gospel porque eu escolho amar quem é igual a mim.

  Quando eu me encontro dentro de um sistema religioso, que nunca me permite enxergar a dor, os sofrimentos e as grandes desgraças do mundo e de quem esta ao meu lado, e eu me vendo para esse sistema, em troca de promessas que Deus nunca fez ou faria, quando quero buscar apenas bênçãos pessoais, eu não passo de uma prostituta gospel, pois eu nunca serei resposta para as mazelas do mundo ou voz contra injustiça, no lugar de lavar minha alma no sangue do Cordeiro, não somente para ser abençoado, mas para abençoar, eu lavo minhas mãos como Pilatos, nas águas sujas de um sistema religioso corrupto, que me ensina a buscar somente as bênçãos do Pai, mas muito pouco, o Pai que me dá essas mesmas bênçãos.

   O interessante é que nesse sistema eu posso ser uma prostituta gospel, mas a prostituta de verdade sempre vai ser uma meretriz, o gay um sodomita efeminado, o mendigo um morador de rua beberrão, a imagem e semelhança de Deus será sempre atribuída aos que foram alcançados pela graça sublime, ou aos líderes religiosos que são semi-deuses na terra. Daí a razão de serem prósperos em tudo.

   Descobri ainda que quando eu vou para uma igreja com o intuito somente de cantar desesperado, levantar minhas mãos e chorar, ficar anestesiado e entorpecido pelo chamado louvor espontâneo ou louvor extravagante, eu sinto muito mesmo, pois nós precisamos rever nossos conceitos sobre louvor e adoração. Quem sou eu para questionar a forma como se louva, acredito que essa função é dada ao Espírito Santo, o problema é que biblicamente nós adoramos a Deus com atitudes e não somente com cânticos chamados espirituais, se eu não vivo o que eu canto essas expressões de louvor são apenas uma grande viagem, uma ilusão. Quando isso ocorre, eu não passo de um drogado gospel.

   Se eu sirvo a Deus, somente com o intuito de ganhar dinheiro, seja através de uma fé genuína ou ainda por formas escusas, através do evangelho de uma falsa prosperidade, este mesmo que você esta pensado, este que tem arrastado milhares de cristãos para o inferno do capitalismo. Eu com certeza sou um mendigo gospel, pois eu não entendo que sem o próximo não existe Evangelho do Reino, e que viver somente de prosperidade seja qual for a área que se aplique ela, na verdade é viver de migalhas e esmolas espirituais, o que Deus quer nos dar em termos de qualidade de vida é muito maior que ouro e prata, não depende e nunca dependeu dessas coisas ou de uma vida cheia de grandes vitórias e glórias, se Deus tem te prometido somente essas coisas, acho que estamos falando de deuses bem diferentes. Ter um relacionamento íntimo e profundo com o Criador, essa é a verdadeira prosperidade.

   Ame incondicionalmente e com certeza você entenderá porque Deus te trouxe para este mundo, e assim será mais fácil você fugir desse mundo gospel.

   Hoje eu oro pelo Fábio (Travesti que atende pelo nome de Yasmin), pelo Edílson (ex-presidiário que é soro positivo, contraiu HIV após ser violentado sexualmente na cadeia), pela Claudette (se prostitui para sustentar o vicio de merla e crak), pelo Mário ( perdeu o senso da razão e é tido como louco, porque mora a mais de 20 anos nas ruas), entre outros muitos que eu poderia citar, pessoas maravilhosas que o próprio Deus me deu o privilégio e a honra de poder amar e abraçar como verdadeiros amigos.

   Perdoe-me se isso te incomoda, talvez Mateus 25:31-46 esteja rasgado ou riscado em sua bíblia, para não te incomodar também.

   Se você entende o que é Graça, e como ela somente inclui, não exclui, meus parabéns! Você esta apto para viver os valores e os conceitos do Evangelho do Reino de Deus, baseado no texto bíblico citado de Mateus, aproveite e tire um tempinho para ir visitar Jesus Cristo em um hospital, em uma prisão ou qualquer outro lugar onde as margens da sociedade se concentram.

É legal quando nos lemos João 3:16 na ótica de I João 3:16. Para encerrar, sempre que eu vejo um homossexual seja um homem ou uma mulher na rua ou em qualquer lugar, eu fico muito tocado e faço sempre à mesma oração:
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“Pai eu te peço, por favor, se eu tiver filhos, não permita que um deles se torne um homossexual, mas eu entendo que cada um escolhe seu próprio caminho e dará conta de si a Deus, como eu ouvi muitos exemplos de travestis que se diziam filhos de pastores ou filhos de crentes.

Pai se um filho meu escolher este caminho, ensina-me a amá-lo como o Senhor ama a todos nós…”

Robert Itamar Alves da Costa
JOCUM Floripa via LOVESA

quinta-feira, 25 de março de 2010

Sexo no Casamento é Melhor



   Esta é a conclusão que chegaram os pesquisadores britânicos. A pesquisa foi conduzida por uma revista chamada Top Sante, especializada em medicina.

   Segundo dados da pesquisa, onde duas mil mulheres foram entrevistadas, dois terços afirmaram que a melhor relação que tiveram em sua vida foi com o marido. Outro dado interessante: após 14 anos de casamento, 63 por cento das mulheres desejam o marido sexualmente. 93 por cento das entrevistadas, também estavam satisfeitas com a virilidade do 'maridão'. Mais da metade achavam o corpo do marido 'simplesmente maravilhoso'. 95 por cento disseram que a fidelidade no casamento era muito importante para a duração da relação.

   Pesquisas sérias como essa, mostram que o casamento é o lugar correto para uma plena satisfação sexual do homem e da mulher. Quando Deus planejou o casamento, um dos seus propósitos era, sem dúvida, que homem e mulher tivessem prazer sexual. O sexo foi criado por Deus para a realização dos cônjuges. Como igreja cristã deixamos, por muitos anos, de dar esta ênfase para os casais. Precisamos ensiná-los de que é da vontade de Deus que se realizem sexualmente no casamento! Precisamos resgatar o sentido do livro de Cantares de Salomão e aplicá-lo ao contexto da vida conjugal. Sexo é para procriação sim, mas também para a satisfação.

   Ao contrário do que muitos estão dizendo, o casamento não é a sepultura da felicidade sexual. Deus assim planejou e as pesquisas comprovam isso. Basta acreditar e ir em busca desta realização.

Capela Sistina 3D


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