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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Morte aos Comentaristas


   O cerne da mensagem do Reino, conforme enunciado por Jesus, é tão escandalosamente revolucionário e exigente que nós cristãos tratamos de aparar suas arestas mais escandalosas (todas elas), de modo a que ele não pudesse causar estrago e constrangimento a ninguém – em especial a nós mesmos.

   Como resultado desse eficaz trabalho de domesticação, todo o tipo de barbaridade foi e é efetuado pelos cristãos em nome de Deus – mas, como aprendi com o Serqueira, sem firma reconhecida. Desnecessário olhar para trás e contemplar as Cruzadas. Nos nossos dias aquele que reivindica para o si o título de país mais Verdadeiramente Cristão™ da Terra é também o mais beligerante e consumista – sendo que a proclamação do o Reino exige de forma inequívoca e intransigente o baixar de armas e a simplicidade de vida.

   Os fundamentalistas evangélicos norte-americanos, defensores últimos da integridade do evangelho, sustentam que é horrenda ofensa não crer na Bíblia literalmente. Eles de fato crêem literalmente, mas de forma cuidadosa e seletiva: isto é, quando lhes convém.

   Os fundamentalistas e seus asseclas crêem que o Gênesis está falando em dias literais quando afirma que o mundo foi criado em sete dias; mas ensinam que Jesus não estava falando numa espada literal quando sentenciou: “Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão”. O nascimento virginal de Jesus deve ser entendido literalmente e seria blasfêmia sugerir o contrário; mas já Jesus não deve ser entendido literalmente quando nos convida a amar os inimigos, a emprestar sem esperar receber de volta, a oferecer a outra face, a dar liberalmente a quem pedir, a renunciar a toda pretensão de poder, a colocar o outro em primeiro lugar, a não ajuntar tesouros na terra, a renunciar a tudo para segui-lo, a nos fazermos frágeis e despretensiosos como criancinhas, a dar a vida pelos amigos.

   Mais fácil é fazer-se de louco e ater-se, como fazemos invariavelmente, a lateralidades. Ninguém quer se dar ao luxo de ponderar que talvez o evangelho seja incompatível com o belicismo, a acumulação insana de bens, o egocentrismo institucional e o capeta-lismo (como dizia o velho profeta carioca Gentileza). O que Jesus disse é, na prática, irrelevante à nossa pretensão de sermos seguidores dele. Estamos protegidos do Indomável pela nossa interpretação à prova de balas das suas palavras.

   Naturalmente, estou chovendo no molhado quando falo sobre esse assunto – e olhe que volto sempre a ele. Se, falando da forma mais clara, o aclamado Søren Kierkegaard não conseguiu abrir os olhos da galera, não serei eu. Já no século retrasado, e por excelentes razões, Kierkegaard exigia a cabeça dos que fazem de intermediar o significado da Bíblia sua profissão.

* * *

MORTE AOS COMENTARISTAS

   A enorme quantidade de intérpretes contemporâneos bíblicos tem prejudicado, mais do que auxiliado, nossa compreensão da Bíblia. Ao ler os comentaristas tornou-se necessário fazê-lo como quem assiste uma peça durante a qual a profusão de espectadores e de luzes impede, por assim dizer, que desfrutemos da peça em si – e somos premiados ao invés disso com pequenos incidentes. Para assistirmos à peça temos de aprender a ignorá-los, se possível, ou entrar por um caminho que não tenha sido obstruído.

   O comentarista tornou-se, na verdade, o mais prejudicial dos intermediários. Se você deseja entender a Bíblia, certifique-se de lê-la sem um comentário. Pense em dois amantes. A amante escreve uma carta ao seu amado. O amado está por acaso interessada no que os outros acham da carta? Não irá lê-la sozinho? Em outras palavras, nunca lhe passaria pela cabeça lê-la com o auxílio de um comentário. Se a carta da amante estivesse escrita num idioma que ele não compreende – ora, ele por certo aprenderia a língua, mas com certeza não a leria com a intermediação de comentários. Esses de nada adiantam. O amor pela sua amada e sua prontidão em satisfazer os desejos dela tornam-no mais do que capaz de compreender a carta. É o mesmo com as Escrituras. Com a ajuda de Deus podemos entender a Bíblia muito bem. Todo comentário deprecia, e a pessoa que senta-se com dez comentários abertos e lê a Escritura… está provavelmente escrevendo o décimo-primeiro. Não está por certo lidando com as Escrituras.

Se você deseja entender a Bíblia, certifique-se de lê-la sem um comentário.

   Suponha agora que essa carta da amante possua o atributo único de que cada ser humano é o amado a quem ela se dirige. E agora? Deveríamos por acaso sentar e conferenciar um com o outro? Não, cada um de nós deveria ler essa carta apenas como indivíduo, como indivíduo singular que recebeu essa carta de Deus. Ao lê-la, estaremos preocupadas em primeiro lugar com nós mesmos e com nosso relacionamento com ele. Não concentraremos nossa atenção na carta em si, no fato de que essa passagem possa ser interpretada de uma forma e esta de outra – de forma alguma: o importante para nós será agir, e o mais cedo possível.

   Não é então algo singular ser o amado, e não nos dá esse algo uma vantagem que nenhum comentarista possui? Pense a respeito. Não somos nós os melhores intérpretes das nossas próprias palavras? E em seguida o amante e, em relação a Deus, o verdadeiro crente? Não devemos esquecer que as Escrituras são meras placas rodoviárias: Cristo, o amado, é o caminho. Morte aos comentaristas!

   A questão é simples. A Bíblia é muito fácil de entender. Mas nós cristãos somos um bando de vigaristas trapaceiros. Fingimos que não somos capazes de entendê-la porque sabemos muito bem que no minuto em que compreendermos estaremos obrigados a agir em conformidade. Tome qualquer palavra do Novo Testamento e esqueça tudo a não ser o seu comprometimento de agir em conformidade com ela. Meu Deus, dirá você, se eu fizer isso minha estará arruinada. Como vou progredir na vida?

   Aqui jaz o verdadeiro lugar da erudição cristã. A erudição cristã é a prodigiosa invenção da igreja para defender-se da Bíblia; para assegurar que continuemos sendo bons cristãos sem que a Bíblia chegue perto demais. Ah, erudição sem preço! O que seria de nós sem você? Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo. De fato, já é coisa terrível estar sozinho com o Novo Testamento.

Terrível coisa é estar sozinho com o Novo Testamento.

   Abro o Novo Testamento e leio: “Se você quer ser perfeito, venda todos os seus bens e dê aos pobres, e venha me seguir”. Meu Deus, se fôssemos de fato fazer isso, todos os capitalistas, todos os funcionários públicos e empreendedores, toda a sociedade na verdade, seríamos reduzidos à condição de quase mendigos! Estaríamos em maus lençóis não fosse a erudição cristã! Louvado seja todo aquele que trabalha para consolidar a reputação da erudição cristã, que ajuda a refrear o Novo Testamento, esse livro perturbado que passaria por cima de nós uma, duas, três vezes se andasse à solta (quer dizer, se a erudição cristã não o refreasse).

   O que precisamos realmente, portanto, é de uma reforma que coloque até mesmo a Bíblia de lado. Sim, isso teria hoje em dia a mesma validade que teve o rompimento de Lutero com o papa. A presente ênfase em “voltar à Bíblia” tem, infelizmente, criado religiosidade a partir de uma trapaça erudita e literalista—mera manobra de diversão. Tragicamente, esse tipo de conhecimento tem gotejado gradualmente sobre as massas, de modo que hoje em dia ninguém é mais capaz de simplesmente ler a Bíblia. Todo nosso saber bíblico tornou-se nada além de uma fortaleza de desculpas e escapes. Quando se trata de existência, de obediência, há sempre algo de que devemos cuidar antes. Vivemos sob a ilusão de que devemos primeiro ter a interpretação correta ou a crença em sua forma perfeita antes de podermos começar a viver – quer dizer, nunca chegamos a fazer o que a Palavra diz.

   A igreja vem há muito precisando de um profeta em temor e tremor que tenha a coragem de proibir o povo de ler a Bíblia. Sou tentado, portanto, a fazer a seguinte proposta. Coletemos todas as nossas Bíblias e juntemo-las em algum lugar aberto ou no alto de uma montanha e então, enquanto todos ajoelhamos, alguém fale com Deus da seguinte maneira:

“Leve esse livro de volta. Nós, cristãos, tais como somos, não somos aptos a nos envolver com tal coisa; ela apenas nos torna orgulhosos e infelizes. Não estamos prontos para ela.”

   Em outras palavras, sugiro que nós, como os aldeões cujo rebanho de porcos arrojou-se na água e afogou-se, imploremos a Cristo que “retire-se de nós” (Mateus 8:34). Isso pelo menos seria um discurso honesto – algo muito diferente da erudição nauseante e hipócrita tão prevalente hoje em dia.

   Em vão a Bíblia comanda com autoridade. Em vão ela admoesta e implora. Não ouvimos – isto é, ouvimos a sua voz apenas pela intermediação/interferência da erudição cristã, dos especialistas que tiveram treinamento adequado. Da mesma forma que um estrangeiro exige os seus direitos numa língua estranha e ousa apaixonadamente dizer palavras ousadas ao enfrentar autoridades do Estado – mas veja, o intérprete que deve traduzi-las para as autoridades não ousa fazê-lo, substituindo-as por alguma outra coisa – assim soa a Bíblia através da erudição cristã.

“Leve esse livro de volta.”

   Afirmamos que a erudição cristã existe especificamente para nos ajudar a entender o Novo Testamento, a fim de que melhor possamos ouvir a sua voz. Nenhum lunático, nenhum prisioneiro de estado foi jamais confinado dessa forma. No que diz respeito a eles, ninguém nega que estão trancafiados, mas as precauções contra o Novo Testamento são ainda maiores. Nós o trancafiamos, mas argumentamos que estamos fazendo justamente o contrário, que estamos zelosamente engajados em ajudar a que ele ganhe clareza e controle. Por outro lado, naturalmente, nenhum lunático ou prisioneiro de estado poderia ser mais perigoso do que o Novo Testamento caso se permitisse que ele andasse à solta.

   É verdade que nós, protestantes, empreendemos grandes esforços para que cada pessoa possua sua própria Bíblia – até mesmo em seu idioma nativo. Ah, mas como são grandes os esforços para imprimir sobre todos a noção de que ela só pode ser compreendida através da erudição cristã! Essa é nossa situação atual.

O que tentei demonstrar aqui pode ser declarado sem dificuldade:

Tenho desejado fazer as pessoas darem-se conta e admitirem que acho o Novo Testamento muito fácil de entender, mas tenho encontrado até agora a maior dificuldade para agir de forma literal em conformidade com o que ele diz tão claramente. Talvez eu pudesse ter tomado outra direção; poderia ter inventado uma nova espécie de erudição, dando à luz ainda outro comentário, mas estou muito mais satisfeito com o que fiz – uma confissão sobre mim mesmo.

Søren Kierkegard, Provocations

Vi em: Bacia das Almas

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Capitalismo é Compatível com o Cristianismo?

 Mineiro carrega pedra para a maior empresa de extração de carvão do mundo, na índia. A Índia Carvão fará o maior lançamento de ações da história do pais US$ 3,4 bilhões.

   Bilhões desnutridos para manter milhares obesos! Eis o mundo capitalista, é esse o reino dos céus? Com certeza não, Jesus sempre falou que todos os homens são iguais para Deus e que todos devem ser incluídos e não excluídos, esse sistema que governa o mundo e gera os sentimentos egoístas do individualismo e competição é inimigo da boa-nova de Jesus, o sistema que escraviza os homens que precisam urgentemente serem libertos conhecendo a Verdade para a sua vida. Sentimentos de comunhão, coletividade, colaboração e compaixão é a mensagem que devemos anunciar e vivenciar... tá esperando o que mais? Que a família toda desse sujeito da foto precise fazer o mesmo que ele para não morrer de fome?

E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Lucas 18:24

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Tomando a Pílula Vermelha


   Você já se sentiu deslocado, como se não se encaixasse? Já notou que ninguém te entende, nem seus pais, nem o pastor, nem a igreja? Que todos querem que você seja mais um na multidão? Vestibular, faculdade, profissão, futuro, cobrança de todos os lados… “Bem-vindo ao esquema dos adultos. Aperte o cinto e prepare-se para ser assimilado!”. E se eu dissesse que você realmente tem razão em se sentir assim? Que tudo que você vive é fruto de um “sistema de controle” muito bem elaborado que serve para impedir que você perceba a verdade?

   Em Matrix, sucesso do cinema, a humanidade vive encapsulada, num estado de coma, servindo como fonte de energia para as máquinas. Para que isso seja possível, as máquinas mantêm a mente das pessoas presas numa construção de software que simula um mundo real. Imagine esse software como um SecondLifei, ou um The Simsii. Seria como uma construção virtual de um supercomputador inteligente como o Skynetiii em O Exterminador do Futuro. Uma simulação perfeita onde você pensa estar vivendo normalmente. Tão perfeita que você jamais suspeitaria não ser real. Neo se encontra na mesma situação vivendo uma vida sem sentido. Vivendo num programa de computador: a Matrix.

   Nem todos vivem na Matrix. Alguns conseguiram ter suas mentes libertas e lutam contra as máquinas para libertar o máximo de pessoas dessa prisão psiquista. Um dos líderes dos humanos livres, chamado Morpheus, entra em contato com Neo na Matrix: “Acorde, Neo”.

No filme, Morpheus conversa com Neo sobre sua inquietação:

“Você (Neo) veio aqui porque sabe de algo. Você não consegue explicar o que sabe, mas o sente. Tem sentido a vida inteira; tem sentido que há algo errado no mundo. Você não sabe o que é, mas existe, como uma farpa na mente, que o faz enlouquecer”.

   Neo vive esperando acordar de um sonho muito real. E por acreditar que é um sonho, mesmo sabendo que alguma coisa está errada, ele se conforma com a realidade e espera por um milagre que o faça enxergar a verdade. Neo quer descobrir o que é a Matrix e aceita o convite de Morpheus para conseguir as respostas para as tantas perguntas que ele tem.

No filme temos o famoso diálogo entre Morpheus e Neo:

Morpheus: Você a sente quando vai para o trabalho quando vai à igreja, quando paga seus impostos. É o mundo que foi colocado diante dos seus olhos para que você não visse a verdade.

Neo: Que verdade?

Morpheus: Que você é um escravo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro, nasceu numa prisão que não consegue sentir ou tocar. Uma prisão para sua mente. Infelizmente, é impossível dizer o que é a Matrix. Você tem de ver por si mesmo. Esta é sua última chance. Depois não há como voltar. Se tomar a pílula azul, a história acaba, e você acordará na sua cama acreditando no que quiser acreditar. Se tomar a pílula vermelha ficará no País das Maravilhas e eu te mostrarei até onde vai à toca do coelho. Lembre-se, tudo que ofereço é a verdade. Nada mais.
   E você? Já teve a sensação de que está sendo manipulado? E se a igreja fosse uma Matrix? E se tudo que aprendeu, ouviu e viu não passa de um sistema de controle institucionalizado? E se o Jesus que te apresentaram não passa de um poderoso artifício de enganação? E se o Evangelho que te ensinaram foi convenientemente distorcido?

   E se você tivesse a mesma oportunidade de Neo de saber a verdade, o que você escolheria? A pílula vermelha ou a pílula azul? Responsabilidade ou comodidade? Realidade ou ilusão? Fazemos opções todos os dias, e elas definem o que somos. Escolhendo a pílula azul, você teria uma vida de satisfação inadvertida: frequentando regularmente a igreja, esperando felicidade, alegria e prosperidade entregando seu dízimo, cantando e orando, ouvindo os sermões, participando dos eventos da igreja e evitando questões profundas que poderiam tirá-lo da zona de conforto e ignorância. Tomando essa pílula, não é preciso se preocupar com o que pregam ou fazem. Mas, escolher tomar a pílula vermelha significa que você está cansado de ser uma simples marionete do sistema religioso. Que está exausto de estar na igreja para apoiar o pastor ou o ministério. Só para passar uma imagem de um jovem crente bem ajustado. Tomar a pílula vermelha quer dizer que você quer ser realmente livre.

   A igreja como está é um sistema de manipulação de mentes. É uma prisão de quatro paredes. Uma bolha onde a consciência coletiva é controlada através de hierarquia, proibições, liturgias, regras, costumes e tradicionalismos que acabam por programar as pessoas a não pensar e não criticar. Esse sistema religioso como tal, se alimenta sugando a energia dos membros: tempo, dinheiro, talento, dons e família. Você vive alienado do mundo, indiferente às questões mais urgentes da sociedade. Cria-se uma subcultura “gospel” deixando cada vez maior o abismo entre os que necessitam das boas notícias de Cristo, e aqueles que foram chamados para levar essas boas notícias aos que necessitam. A palavra igreja vem do grego ekklesia que significa “chamados para fora”. Contudo, esse sentido há muito se perdeu, visto que cada vez mais os cristãos se trancafiam em seus templos e vivem vidas totalmente irrelevantes para a sociedade.

   Cristo nos chamou para sermos sal e luz da terra e, para tal, precisamos sair de debaixo da mesa, nos libertar da igreja que existe como uma Matrix, e realmente sair para fora desse “sistema de controle”, e saber discernir o que andam ensinando nos púlpitos. Jesus discerniu e viveu fora do sistema religioso de sua época de maneira que isso irritou tanto os líderes que quiseram matá-lo. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou das trevas, por isso não devemos nos submeter novamente a nenhum jugo de escravidão, muito menos um jugo religiosoiv. Deixemos de ser preguiçosos e de nos conformar com tudo que nos jogam goela abaixo. Sejamos transformados pela renovação da nossa mente em Cristo, através da Bíbliav.

   Você pode escolher ser responsável por quem é, e por quem se torna em Cristo, ou pode escolher ser mais um na multidão, mais uma mente presa e manipulada, um zero à esquerda, um robozinho programado para fazer o seu serviço e não incomodar. Pode escolher sair da Matrix, sair da caixa e fazer diferença na vida dos amigos, da família e da sociedade. Ou você pode escolher ser um crente desinteressado, distante e alienado vivendo uma falsa realidade dentro das quatro paredes de um templo, e nunca conhecer o “deserto do realvi” onde as pessoas têm sede de conhecer a Verdade que veio para libertar. Ou você pode escolher viver radicalmente tudo o que Jesus ensinou e ser como Cristo convivendo, caminhando junto, entendendo o problema do outro, vivendo, perdoando e amando. Você pode escolher tomar a pílula azul e continuar sendo um crente que não faz diferença e continuar a alimentar o sistema religioso que não tem compromisso com as pessoas e suas necessidades reais. Ou você pode escolher tomar a pílula vermelha e seguir os passos de Cristo, discernindo lobos em pele de ovelha e suas mensagens enganosas, e tendo curiosidade pela Bíblia, permanecendo nas Palavras de Jesus, para que conheça a verdade, e a verdade o libertevii.

   Parafraseando Trinity no filme, “é a pergunta que nos move”. Você tem sede de saber a verdade? Tem perguntas a serem respondidas? Tem dúvidas a serem sanadas? As dúvidas são essenciais para o desenvolvimento da fé. Muitos crentes acham que sua igreja tem todas as respostas e estas por sua vez nunca abrem espaço para questionamentos ou dúvidas. Para piorar, muitas vezes, as únicas respostas que a igreja tem são precárias ou manipuladoras. Quer saber até onde vai a toca do coelho? Quer ser realmente um discípulo de Cristo, livre, responsável, que pensa, entende, busca, raciocina e atende ao chamado de Jesus para sair para fora da Matrix? Uma vez fora do “sistema religioso de controle e manipulação” você pode fazer como Neo e agir no sistema para libertar os que ainda estão presos e sendo usados para inchá-lo.

   Que tal criar uma nova versão do software do Cristianismo, depurando o código fonte? O que acha de deixar de ser um agente da Matrix e começar a ser um revolucionário como Jesus, e tornar-se um agente de mudança? Então tome a pílula vermelha… mas, lembre-se tudo que ofereço é a verdade, nada mais.

Notas:

i O Second Life é um ambiente virtual e tridimensional que simula em alguns aspectos a vida real e social do ser humano. Foi desenvolvido em 2003 e é mantido pela empresa Linden Lab. Dependendo do tipo de uso pode ser encarado como um jogo, um mero simulador, um comércio virtual ou uma rede social. O nome “second life” significa em inglês “segunda vida” que pode ser interpretado como uma “vida paralela”, uma segunda vida além da vida “principal”, “real”. Dentro do próprio jogo, o jargão utilizado para se referir à “primeira vida”, ou seja, à vida real do usuário, é “RL” ou “Real Life” que se traduz literalmente por “vida real”. (Wikipédia)

ii The Sims é uma série de jogos eletrônicos de simulação de vida, criado pelo designer de Jogos Will Wright e distribuído pela Maxis. Com o lançamento inicial do primeiro jogo em Fevereiro de 2000. São jogos onde se podem criar e controlar as vidas de pessoas virtuais (chamadas de Sims). O jogo atraiu legiões de fãs, devido a sua simplicidade e objetividade. Hoje em dia, existem plataformas de The Sims para PC, Celular, Nintendo DS, Playstation 2 e outros. (Wikipédia)

iii Quando em 1997, um supercomputador inteligente, Skynet, decide eliminar todos os seres humanos, que vê como uma ameaça, provoca um holocausto nuclear, que dizima grande parte da população. Inicia-se então uma guerra entre os poucos sobreviventes, e os cyborgs Exterminadores criados por Skynet para destruir os últimos humanos. Apesar das poucas hipóteses, os humanos liderados por um homem chamado John Connor, ganham vantagem. Perante a eminência da derrota, Skynet envia um dos cyborgs numa viagem no Tempo, para o passado nos anos 80, antes da guerra, com o objectivo de assassinar a mãe do líder da Resistência, Sarah Connor, antes mesmo de este nascer. Para protegê-la, a Resistência consegue também enviar um protector humano, Kyle Reese.(Wikipédia)

iv Paráfrase de Gálatas, Capítulo 5, Versículo 1.

v Paráfrase de Romanos, Capítulo 12, Versículo 2.

vi Conceito de Simulacros e Simulação, de Jean Baudrillard. Quem vive no deserto do real existe num mapa, não num territóro; o que se acredita ser real é uma cópia sem original.

vii Paráfrase do Evangelho de João, Capítulo 8, Versículo 32.

O autor desse ótimo texto é Thiago Medanha, o texto original está disponível no site do mesmo: Thiago Medanha

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Retiro JEC 2010



   Já faz um tempinho que aconteceu o retiro da JEC (Juventude Evangélica de Campinas) desse ano. Foi realizado do dia 3 a 6 de junho em Santa Isabel/SC. Esse é um grupo de jovens do qual eu, meus primos e primas, namorada e muitos irmãos na fé participam. Não tive tempo de escrever nada sobre o retiro, até o momento. Foram quatro dias de muito aprendizado e comunhão. É muito bom sair do nosso cotidiano, da nossa rotina e ter um tempo para adorar a Deus, estar em comunhão com os irmãos e o mais importante para min: lembrar quem sou e no que acredito. Muitas vezes com as tarefas do nosso dia-a-dia: estudo, trabalho e tudo o mais, acabamos ficando um pouco anestesiados sobre qual o nosso papel e o motivo pelo qual vivemos. Eu por exemplo como cristão, às vezes esqueço de amar como Cristo amou e andar como Ele andou. Esqueço do amor de Jesus por min e me deixo levar algumas vezes pelas coisas desse mundo, esqueço que “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Coríntios 5:17).

 Tema do Retiro JEC 2010

   E tudo isso acaba nos fazendo mal. Mas sempre é tempo de renovar o espírito e voltar-se mais uma vez para Deus. É uma sensação indescritível estar num local com pessoas que amamos, estudando a Palavra e em intimidade com Deus. Isso tudo nos proporciona grande alegria, como dizem no retiro “parece que estamos no céu”, isso tudo sem depender das coisas que o mundo diz que precisamos para ser felizes: dinheiro, poder, sexo, drogas, álcool... muito pelo contrário nunca me alegrei tanto com tão pouco, a única e verdadeira satisfação não pode ser encontrada em nada desse mundo mas apenas no Senhor Jesus, e disso todos que lá estavam puderam provar. É uma alegria sincera e autêntica, sem falsidade nem fingimento, você não precisa usar máscaras. Não precisa intoxicar o seu corpo nem estar num lugar barulhento, com muitas pessoas e movimento para que possa esquecer de si mesmo pra não lembrar da sua miséria e como você se sente vazio. Sempre ao final temos aquele sentimento de nostalgia e queremos um pouco mais, porem chega o momento de voltar e fazer diferença nesse mundo. Mas podemos voltar fortes e revigorados para trazer pessoas ao conhecimento dessa verdade libertadora, e dessa alegria incondicional, pois nos relembramos que Deus é que guia, protege e completa a nossa vida e por Ele é que vivemos.

Porque este Deus é o nosso Deus para sempre; ele será nosso guia até à morte.
Salmo 48:14

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Igreja Primitiva


 E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.
Atos 2:42-47

   Essa é uma descrição de como era a igreja anos depois da ressurreição de Jesus, a igreja primitiva. Todos dividiam tudo o que tinham entre si conforme havia necessidade. Perseveravam nas orações e no estudar da Palavra. E mais: caindo na graça de todo o povo. O povo daquele tempo de certa forma admirava os cristãos. Hoje as coisas mudaram e já não é bem assim, as “maravilhas” às vezes são feitas somente para atrair mais e mais pessoas sei lá com que intenção no coração, poder quem sabe? A igreja parece inchar-se mas não cresce verdadeiramente. E muitas pessoas já não admiram os cristãos por causa de sua humildade e amor, como provavelmente era naquela época,  muitas vezes até detestam pois muitos são orgulhosos e soberbos. O que há de errado? Com certeza são as pessoas. O mesmo Espírito Santo que ajuda-nos hoje e a mesma Palavra que nos sustem são os que haviam na igreja primitiva, nós algumas vezes saímos do caminho. Existem muitas pessoas com certeza cheias do Espírito de Deus, que seguem verdadeiramente a Bíblia e os mandamentos de Jesus; amando  as pessoas e sendo humildes. Mas muitos só querem Jesus como um guru e a Bíblia como um livro de auto-ajuda, ou seja, para satisfazer suas vontades... não querem negar a si mesmos e entregar suas vidas, as vezes cometemos esse e outros tantos erros. Que possamos olhar como exemplo a igreja primitiva e tentar seguir esse caminho. Orar a cada dia perseverantes e confiantes de que Deus ainda quer fazer uma mudança no mundo através de nós e conseqüentemente uma mudança em nossa vida. Precisamos Dele, sem Ele não somos nada.


Que o Senhor e Salvador Jesus possa habitar em nosso coração e fazer grandes maravilhas!