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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

The God Delusion

Por Donald Miller

Meu mais recente esforço de fé não é do tipo intelectual. Eu realmente não faço mais isso. Mais cedo ou mais tarde você simplesmente descobre que há alguns caras que não acreditam em Deus e podem provar que ele não existe e alguns outros caras que acreditam em Deus e podem provar que ele existe – e a esse ponto a discussão já deixou há muito de ser sobre Deus e passou a ser sobre quem é mais inteligente; honestamente, não estou interessado nisso.

Donald Miller é autor de Fé em Deus e pé na tábua, e Como os pinguins me ajudaram a entender Deus, ambos publicados pela Thomas Nelson Brasil.

Via http://edrenekivitz.com/

Você Fica Triste com Papo de Crente?


Nestas férias eu e Simone fomos curtir as limpas praias de Florianópolis. No avião sentamos junto a uma jovem executiva de sucesso, muito faladeira e simpática. Uma hora de vôo e já éramos todos amigos de infância. Conversávamos de tudo: negócios, família, política, futuro... Até uma pequena confidência com relação a sua vida conjugal rolou. Lá para as tantas, não me lembro qual era o contexto, eu contei que era pastor...

Meu “deus”... Que reação mais inesperada ela teve:

“VOCÊ PASTOOOOR? Como assim pastor?! Você está brincando não é? Claro que está brincando. Pois você é um cara legal! Você é simpático, tem um ótimo papo, é inteligente e culto. Como pastor? Você é um cara bom, de deus! Não pode ser mesmo um pastor, certo?”

Aquela reação mostra bem a cara da Igreja Evangélica no Brasil. Cara esta que os pastores e os crentes deram a ela. Um rosto forjado por comportamentos. Uma cara auto-maquiada sem espelho... Maquiagem mal-feita. Uma cara feia!

Para aquela nova amiga, pastor é uma coisa extremamente ruim, pois como ela disse, pastores são uns caras que roubam dinheiro dos pobres, que pedem dízimos e que vivem do estelionato da fé alheia. Pastor é aquele cara que diz que não pode isto, não pode aquilo, não pode comer, não pode beber, não pode viver... Só pode morrer, pois o resto é pecado... Sim, para muitos, esta é a cara do crente. Esta cara de crente foi maquiada pelos próprios crentes por meio de um discurso anacrônico e antibíblico.

O discurso dos “crentes” tem sido incoerentemente herético!
Muitos crentes só pregam pecado.
Tudo é pecado.
Ser uma mulher gostosa é pecado.
Olhá-la é pecado. (Jesus nunca disse que é pecado admirar coisas belas, disse que é pecado olhar "com intenção impura", que é bem diferente... Como alguns religiosos possuem os olhos maus e não conseguem olhar com pureza, pensam que todos são impuros como eles e acabam por proibir a admiração das coisas belas que Deus criou).

"Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros... nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas." Tito 1:15

Ter idéias próprias é pecado.
Contestar é diabólico!
Cuidado com o pecado! Deus castiga!
Muita gente acaba por ficar aborrecido com papo de crente.

Por conta de uma religião doente, inúmeros neo-ateístas os são, não porque queiram brigar com Deus, a quem não conhecem e não acreditam, mas porque querem brigar com os que se dizem representantes deste Deus. Neo-ateístas querem é criar encrenca com a religião cristã e com seus representantes, os crentes, pois estes muitas vezes conseguem aborrecer as pessoas com seu papo muito estranho e, por vezes, hipócrita.

Ao contrário da pregação religiosa sobre pecado e sobre o que não se pode, o discurso do Evangelho de Jesus é sobre o perdão e sobre o que se deve: Amar as pessoas pecadoras.

O discurso central do Evangelho é que todos estão perdoados por Cristo. O discurso é sobre perdão de graça. Sobre coisa boa, vida eterna, paz com o próximo, paz consigo, amor. Sobre não precisar fugir de Deus por medo de punição, mas sobre aproximar-se de Deus, pois Ele já perdoou a todos pois Ele é legal.

"Ele levou sobre sí todas as nossas iniquidades".
"Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus".

Todos quantos quiserem estão perdoados. A mensagem, portanto, que os representantes de Deus deveriam anunciar tinha que ser uma mensagem que não se concentrasse em “usos e costumes”, comportamentos culturais, comida, bebida, cabelo ou roupa. Mas não é o que acontece normalmente. Temos assistido grupos religiosos que, com a Bíblia em punho, pregam heresias:

Que Deus abençoa só a quem dá dízimo.
Que Deus não abençoa quem não dá dinheiro pra Igreja.
Que a salvação vem pelo bom comportamento e não pela Graça de Deus.
Que cristão não pode ser intelectualmente independente.
Dentre outras heresias.

Tem uma blogueira que é desertora da fé evangélica e cheia de fé em si mesmo. Ela diz ser atéia, se intitula “heresia loira” e se diverte muito com os “crentes” que, em defesa da fé evangélica, infestam seu blog com comentários hediondos e muitas visitas (conseqüentemente, rendendo também anúncios no blog, convites e grana para ela). Percebo no arcabouço do discurso desta blogueira que seu dito ateísmo não é conseqüência, necessariamente, de algum problema com Deus, mas sim, com os crentes. Por conta da má-criação dos filhos, ela bate é no Pai, num processo Freudiano de transferência. Aliás, no geral, os neo-ateus defendem sua “fé” por meio da falta de fé que eles têm nos cristãos. Irônico.

Incrível como algumas pessoas que dizem seguir Jesus falam pouco de perdão, de coisas boas, de felicidade por meio da certeza da paz com Deus. Geralmente crentes não são vistos como pessoas bacanas, que amam a todos, que amam os inimigos, que procuram não ter inimigos.

Incrível como o simpático e psico-emocional saudável discurso do "perdão gratuito de todos os pecados" foi substituído pelo doentia e culposo discurso do "tudo é pecado".

"Vinde a mim vós que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei".
Acho incrível como religiosos não oferecem o alívio que Jesus oferece...

Que fique claro: pecado existe!

Ninguém em sã consciência discordaria que meter uma bala na cara de um motorista para ficar com sua carteira é algo errado, portanto, não é preciso ficar batendo na tecla que isto é pecado, mesmo os dito ateus sabem que isto não é certo. Certo?

Pra que reforçar o que todos instintivamente já sabem? Até a blogueira auto-intitulada Heresia Loira não absolveria sua melhor amiga se a apanhasse hoje na cama com o seu namorado. Ela sabe o que é errado! Ela sabe o que magoa! Ela sabe o que fere! Pra que, portanto, insistir em discursar sobre o pecado? O que ela precisa saber é que Jesus perdoa gratuitamente todos os erros e os pecados arrependidos e confessados. Ponto!

O discurso que o mundo inconscientemente quer ouvir é a pregação do perdão: Sim, você errou, mas há uma nova chance para você! Não se sinta eternamente culpado. As pessoas podem não te perdoar pelos seus erros ou por você ser uma pessoa tão babaca. Você pode não se perdoar. Mas Deus é aceitação. Deus é um abraço amigo. Deus é perdão! Deus é bom.

Este discurso, tão real e libertador, precisa ser resgatado nos púlpitos e replicado na pregação cotidiana.

Quando me lembro da reação da nossa colega de viagem no avião quando soube que eu era pastor, fica claro que muitos cristãos estão voando fora da rota e a Igreja continuará fabricando ex-cristãos!

Qual Evangelho você tem pregado?

“Meus filhinhos, escrevo isso a vocês para que não pequem. Porém, se alguém pecar, temos Jesus Cristo, que faz o que é correto; ele nos defende diante do Pai. É por meio do próprio Jesus Cristo que os nossos erros e pecados são perdoados. E não somente os nossos, mas também os pecados do mundo inteiro.”

Primeira carta de João, Capítulo 2


O autor desse texto é Luciano Maia do blog Café com Deus

sábado, 25 de setembro de 2010

Quem quer cair em tentação?


Se eu tenho permissão para fazer algo, aquilo não me é uma tentação, posto que somente sou tentado por aquilo que “não” posso ter, ver ou fazer. Se não posso é porque alguém me proibiu ou disse que é errado.
Se não é “errado” nem proibido, desejar, ver ou fazer , logo, não é uma tentação. Portanto, a tentação é algo que pode ser criada. Criamos tentações quando proibimos coisas. A Lei de Moisés era proibitiva, criando, pois, tentações. A Lei de Cristo é a Graça: liberdade no Espírito. Se tenho liberdade, não tenho tentações.

Paradoxal e, como diriam alguns pastores: “perigosa esta linha de raciocínio – não vamos dar liberdades para não termos problemas com ela”. Mas não dar liberdade é sair da Graça de Cristo e retornar à escravidão das leis mosaicas.

Pela Lei da Graça que hoje opera (nas pessoas que são “nascidas do Espírito”) todas as coisas são lícitas, não obstante, nem todas convêm. Porque não convém?

O que não convém?

O que não convém está relacionado ao amor ao próximo. Se o que me é lícito fazer irá prejudicar alguém em algum lugar do planeta, não devo mais fazer. Não porque eu não possa fazer, mas porque devo amar o outro e, por amor altruísta – não pela lei – deixo de fazer coisas que me dão prazer, me alegram e me são lícitas, simplesmente para não prejudicar outros.

Alguns poderiam perguntar: “Mas, deixo de fazer isto ou aquilo não é para ser salvo?”
A resposta é um retumbante: NÃO! Não somos salvos pela lei nem pelas nossas obras boas. A lei mata e o Espírito da vida. Somos salvos e aceitos por Deus não pelo que nós somos, mas pelo que Ele é! Somos salvos pela Graça de Deus, não pelas nossas boas ações!

Assim, acabamos por dar um tipo de definição para o pecado, que é prejudicar o próximo.
Não! O pecado não é prejudicar Deus, posto que a Deus ninguém prejudica, no máximo, por Ele podemos ser abençoados ou prejudicados. Ele não depende de nós, de nossa crença, de nossas teologias, de nossa defesa em favor d'Eele e nem de nossa devoção. Estas coisas são importantes para nós, homens vacilantes, que carecemos de identidade.

Pecado não é problema para Deus. Todos os pecados já estão perdoados. Ou não estão? Deus não vê mais os nossos pecados, pois eles já foram pagos por Cristo e lançados no mar do esquecimento.
Deus não vê o “nascido de novo” pela lente do pecado, mas pela lente da Graça. Para Deus os que crêem estão limpos. Infelizmente poucos de nós temos esta capacidade de acreditar no Evangelho e aceitar que fomos perdoados, preferimos crer que temos que "pagar algum preço" ou fazer algum "sacrifício" para sermos aceitos ou merecedores de um “presente” de Deus, que chamamos de salvação. Mas não, gente, é de graça mesmo!

Para piorar este cenário de dúvidas, alguns líderes religiosos estão constantemente ensinando um Evangelho que não é o Evangelho da Graça, mas o diabólico Evangelho do Mérito, por meio do qual sempre é dito: “Cuidado que Deus castiga! Não toque nisto! Não beba aquilo! Feche os olhos! Dê dinheiro! Morra!”

Postado em Café com Deus, por Luciano Maia.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ser Cristão?


Certa vez o frei Leonardo Boff perguntou para o Dalai Lama: “Qual é a melhor religião?” Ele respondeu: “A melhor religião é aquela que te faz melhor”. Boff retrucou: “O que me faz melhor?” Aquilo que te faz mais compassivo, aquilo que te faz mais sensível, mais desapagado, mais amoroso, mais humanitário e mais responsável, a religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião”.

Concordo com a resposta do Dalai Lama, aliás, eu penso que essa foi a resposta de Jesus, esse foi o foco do ministério de Jesus, Ele andou proclamando uma mensagem com o desejo de que essa mensagem produzisse um tipo diferente de pessoas. Jesus não falou em levar pessoas para o céu, Jesus falou sobre trazer o céu para a existência.

Você me pergunta: você acredita que iremos para o céu? Sim, acredito. Não sei como será, não sei onde é, não sei nada a respeito do céu, mas sei que iremos pra lá um dia.

Essa mensagem que diz: “Aceite a Jesus, siga as regras do cristianismo e você vai passar a eternidade no céu” é uma redução ao evangelho, porque se concentra em dizer que a mensagem de Cristo entra em ação no dia da morte. Coisa triste pensar assim, deixamos de experimentar os valores do reino que geram razão, alegria e força para viver, e passamos a viver cumprindo um apanhado de regras para ir pro céu.

Jesus fala para as pessoas de um jeito de viver e não de uma vida bem sucedida pós-morte, ele convoca a uma postura pro agora, uma decisão para existir com saúde espiritual. Céu é consequência, é depois.

A espiritualidade cristã pressupõe avaliação, pressupõe auto-crítica, convoca os seguidores de Cristo a tomarem cuidado para não perder a alma.

Pense:

Você é livre e Cristo quer que você use sua liberdade para produzir vida.

Você tem a vida sob os seu cuidados. Quem toma as decisões é você. Quem decide o pai que você é? Quem determina a maneira que você trata seus empregados ou seus colegas de trabalho?

Deus não traçou seu caminho já com tudo decidido e tudo encaminhado. Não, é sua a responsabilidade de zelar por aquilo que você está fazendo, é você quem tera que lidar com as consequencias dos seus atos.

A bíblia mostra que somos livres, quando nos convida a uma postura, quando nos convoca a encarmos nossas responsabilidades, o fato de Jesus pregar, falar para mostrar o valor da coisas revela que você pode ir por outros meios, você tem como decidir isso, a vida é sua.

João Batista pregava o evangelho convocando a transformação de idéias, aquilo que o Ronald Sider chamou de expansão de consciência.

A biblia diz que onde o Reino de Deus acontece há perdão de pecados, mas não é só isso, não é simplesmente aceitar esse perdão e continuar com a mesma vida adultera, materialista, racista e egoista de antes, porque se não houver esse tipo de transformação é porque você ainda não experimentou uma salvação existêncial que muda a maneira de pensar e a vida é um verdadeiro inferno.

Creio que ser cristão é entrar numa dinâmica relacional, onde confessamos Cristo como nossa verdade e essa verdade começa a infiltrar em todas as áreas da nossa vida e assim somos dia a dia moldados a imagem de Jesus até que seremos como Ele é, nesse dia seremos revestidos de toda a verdade e um verdadeiro céu acontece no coração.

Autor: Villy Fomin, disponível em Emeurgência.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

To Save a Life


    Vi  esse filme agora e fui obrigado a vir aqui compartilhar com vocês. Esse filme é único, diferente de vários filmes cristãos que já vi, não melhor nem pior mas muito especial. O filme mostra o quanto nós podemos e precisamos fazer diferença nesse mundo, como as pessoas precisam de amor e compreensão. Muitas vezes vivemos nossa vida pensando só nos nossos problemas e dificuldades e esquecemos do nosso próximo que precisa urgentemente de nossa ajuda e carinho, esquecemos de olhar para fora e olhamos apenas para o nosso interior. Esse filme nos lembra de que podemos fazer a diferença nesse mundo mesmo que talvez pensemos que nossa vida não é um exemplo ou não temos capacidade, mostra que quando buscamos a felicidade e o bem para os outros a consequencia é também o nosso crescimento pois Ele nos guia. Não preciso falar muito mas apenas peço que não deixem de ver esse filme, vejam e deixem ser transformados, busquem e peçam a Deus que através da sua vida Ele transborde o Seu amor incondicional nesse mundo. Precisamos constantemente ser acordados de nossa vida centrada no eu, temos que olhar ao nosso redor, existem pessoas que precisam muito do amor de Deus, que preenche toda a nossa vida e nos traz paz. Que cada um de nós possa ser transformado a cada dia, rumo ao nosso alvo: JESUS!

Deus seja louvado para sempre, toda honra e toda glória ao Seu nome, amor incomparável, incondicional, inesgotável maravilhoso!

Nos guia Pai!

Jesus dis: O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. João 15:12


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Uma Alma Cheia de Deus


   Os irmãos de Davi cobrem os olhos, com medo e vergonha. Saul suspira enquanto o jovem hebreu corre para a morte certa. Golias joga a cabeça para trás numa gargalhada, o suficiente para mover seu elmo de lugar e expor um pedacinho da testa. Davi percebe o alvo e aproveita o momento. O som da funda esticando é a única coisa que se ouve no vale. Estiiiiiiiica. Estiiiiiiiica. Estiiiiiiiica. A pedra segue seu vôo pelo ar e em seguida torpedeia a cabeça do gigante; os olhos de Golias entortam e as pernas se dobram. Ele cai ao chão e morre. Davi corre e desembainha a espada de Golias, fere o filisteu e corta-lhe a cabeça. Você talvez diga que Davi soube arrancar a cabeça de seu gigante.

   Quando foi a última vez em que você fez a mesma coisa? Quanto tempo faz desde o dia em que você enfrentou seu desafio? Temos a tendência de recuar, de nos metermos debaixo da mesa do trabalho ou de nos arrastarmos para uma boate em busca de distração ou para uma cama à procura do amor proibido. Por um instante, um dia ou um ano, sentimo-nos seguros, isolados, anestesiados, mas o trabalho acaba, a bebida desaparece ou o amante nos deixa — e ouvimos o Golias de novo: estrondoso, bombástico.

Experimente uma tática diferente.

Faça seu gigante correr ao se deparar com uma alma cheia de Deus


Trecho extraido do livro: Derrubando Golias do autor Max Lucado.

terça-feira, 27 de abril de 2010

O Ateu Que Vive em Nós

 Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé (Mc 9.24)
 
   É mais simples explicar os fatos e acontecimentos extraordinários que nos sobrevêm como sendo obra do acaso, sorte, bons fluídos, esforço pessoal, ou destino, que admitir a ação de um Deus que intervém. O fator Deus não é agradável pra muita gente. É mais fácil ler as Escrituras como uma literatura qualquer, e ver suas histórias como quem visita um museu, distanciando-se delas, e não perceber que "eu" sou o cego e o paralítico que precisa desesperadamente de Deus.
       
   É mais cômodo agir como o rei Agripa, que após ouvir o apóstolo Paulo discorrer sobre a fé, respondeu-lhe tibiamente: "por pouco me persuades a tornar cristão" (At 26.28), que ter a coragem de render-se ao Eterno. Até hoje, muitos ao serem confrontados com a genuína pregação do evangelho, é mais fácil responderem à manifestação do divino dentro do campo da estética ("foi bonito") ou da sensação ("fiquei arrepiado"), sem, entretanto, deixar-se tocar pela Presença do transcendente. Vida sem fé e sem compromisso com o Eterno é uma vida que privilegia apenas o efêmero, o temporal e as "coisas". Isso inevitavelmente levará a um sentimento de inquietação e vacuidade, mas em virtude dos mecanismos de defesa postos em ação, logo essa insatisfação será interpretada pela alma como necessidade de adquirir "mais coisas".

   Há um ateu vivendo dentro de cada um de nós que precisa "entregar os pontos" e se converter Àquele que é. Não obstante, há um longo caminho para isso, e somente quem ousa habitar o mundo da fé consegue fazê-lo. Nossa alma é anárquica por natureza. Jesus veio por ordem no caos, da mesma forma que Deus ordenou a Terra que até então era "sem forma e vazia", ou seja, caótica como a nossa vida. Não é fácil o caminho do cavaleiro da fé. Queremos desistir, Deus manda perseverar. Queremos retroceder, Jesus diz que não é digno de seu reino quem põe a mão no arado e olha para trás.
      
   "Induzo o coração a guardar os teus decretos" (Sl 119.112), dizia o rei Davi. Ou seja, por ele mesmo não guardaria, a menos que tomasse o firme propósito de submeter-se ao Eterno. A vida parece ser menos penosa quando somos guiados apenas pelos instintos, posto que viver em bondade e santidade nos traz constante luta contra nossas tendências naturais. Sim, é difícil orar, e manter a atenção sem que imediatamente nos sobrevenham pensamentos "diversionistas". É difícil perseverar seguindo um Deus invisível numa época que se busca coisas palpáveis, e é penoso esperar pacientemente pelos céus, quando em cada esquina são oferecidas "soluções" rápidas para os nossos problemas.
       
   Isaías dizia que o Eterno era um Deus abscôndito (escondido) e Salomão afirmava que a glória de Deus é "encobrir" e a glória dos reis "esquadrinhar" (Pv 25.2). Mas agora Ele é fácil. Não é mais necessário buscá-lo, ou procurá-lo. Ele está exposto nas vitrines suplicando para ser pego. É óbvio que essa espécie de deus satisfaz plenamente ao coração descrente, agrada as multidões e não compromete. Que fique claro: trata-se não de Deus - mas de um simulacro. A superexposição desse "deus" pelos meios de comunicação não leva ninguém à fé, mas sim à banalização do Sagrado. Não provoca mudanças na vida pessoal e muito menos na sociedade, a despeito de milhões segui-lo.
       
   O ateu que vive dentro de nós teme um encontro com o Eterno, pois isso desmontaria sua estrutura de vida. Então, é mais fácil buscar um arremedo do divino, pois no fundo sabe que ainda continua no comando. "Eu creio.... ajuda-me na minha falta de fé" (Mc 9.24), gritou profunda e sinceramente o pai de um menino endemoninhado, a quem Jesus havia dito que tudo é possível ao que crê. O filho estava enfermo, mas o pai também precisava ser curado do seu espírito de ceticismo e incredulidade. O cético e o incrédulo precisam ser libertos dos poderes da morte. A vida de fé sempre será penosa. Requer busca, entrega, consagração. Desconfie de todo "deus" que é fácil crer, pois certamente trata-se de um impostor.
       
   A crença fácil acaba se tornando empecilho para a chegada da fé. A verdadeira fé ama a solidão do deserto. A verdadeira fé aceita ser estrangeira no mundo. A verdadeira fé mantém-se íntegra mesmo diante de decepções e perplexidades. E o ateu que vive dentro de nós precisa morrer.

Autor: Pastor Daniel Rocha
Fonte: Estudo Gospel

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Que Aconteceu de Errado?



    Qualquer pessoa, com um censo crítico, ao analisar a situação da humanidade desde os seus primórdios até os dias de hoje deveria fazer essa pergunta... o que aconteceu de errado com nós? Porque sofremos? Porque às vezes nos sentimos tristes? Porque nunca nos satisfazemos completamente com o que o mundo pode proporcionar? Porque existe tanto mal? Ou seja, o que aconteceu de errado?

   O homem vem “evoluindo” intelectualmente durantes milhares de anos em várias áreas: engenharia, matemática, física, filosofia, saúde entre outras, mas mesmo assim nunca conseguiu resolver os problemas que o afligem. Platão escreveu A República onde imaginou uma sociedade perfeita, quando o próprio teve a oportunidade de governar não conseguiu colocar isso em prática. O homem debate, estuda, cria projetos, faz revoluções, tenta mudar o mundo, continua caminhado sozinho tentando acabar com todas as mazelas que o afligem.

   Não é nem preciso ir muito longe para perceber que algo está errado. Olhe para sua própria vida. A casa que ontem você sonhava, hoje não te agrada mais. Os ideais pelos quais você luta não dão um significado verdadeiro para a sua vida. Os valores que você busca possuir não te trazem significativa realização. As festas, o status, a “alegria” (que está entre aspas, pois é uma alegria temporária) que o mundo dá não preenche por completo o seu coração, os prazeres que você tenta lhe proporcionar nunca te deixam realmente satisfeito e completo, pelo menos não por muito tempo, até que você precise de mais uma dose: de consumo, de reconhecimento, de drogas, de aplausos, de prazer sexual. Você se satisfaz por um curto período de tempo, mas logo precisa de mais.

   O ser humano ao longo dos anos tem inventado diversas formas de tentar preencher esse vazio. Alguns objetivam a negação do eu e dos desejos, vivendo um desapego para dessa forma se ver livre de todo o sofrimento. Outros criam para si próprios deuses, conforme suas vontades, e lhe atribuem características que admiram e passam a cultuá-lo. Alguns passam a viver conformados com o segredo do universo, que nada mais é do que viver vazios como todos os outros, dizem não existir nenhuma resposta, nada absoluto e se acomodam a isso.

   O que aconteceu de errado? A resposta não é longa, nem complicada: o homem preferiu viver sozinho seguindo seu próprio pensamento, e dessa forma recebeu toda a recompensa: guerras, morte, doenças, sofrimento, confusão e vazio. Não é pessimismo é a realidade, observe e conclua.

   Aconteceu algo muito errado mais a “solução” foi perfeita e 100% eficaz. O fato é que o homem foi criado para viver completamente alegre e satisfeito em comunhão com o seu Criador mas preferiu desobedecê-lo e assim recebeu a recompensa lógica desse ato: vazio e solidão, por ter decidido viver afastado da fonte de agua viva. Mas o nosso Criador pelo seu imenso amor a nós, não nos deixou abandonados. Mesmo sendo negligenciado, negado e posto de lado não deixou de nos amar, pelo contrário amou tanto que enviou seu Filho para que sobre ele recaíssem todos os pecados do homem, e todo aquele que tem fé e aceita esse presente passa a ter o espírito renovado, justificado e também filho e herdeiro de Deus. Passa a ser liberto do pecado e encontrando a única e perfeita paz, não a que o mundo dá. A verdade vem e nos liberta da mentira e do Enganador que nos enganou. A vida tem um significado real e um objetivo... na verdade ela sempre teve mas não enxergávamos.

   Nunca é tarde para receber esse presente, procure pelo Senhor e Salvador Jesus Cristo, é de Graça.

E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.
 
E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. 
Apocalipse 21.4-5


terça-feira, 16 de março de 2010

A Grandeza do Poder de Deus


   Uma pobre senhora, com visível ar de derrota estampado no rosto, entrou num armazém, se aproximou do proprietário conhecido pelo seu jeito grosseiro, e lhe pediu fiado alguns mantimentos. Ela explicou que o seu marido estava muito doente e não podia trabalhar e que tinha sete filhos para alimentar.

    O dono do armazém zombou dela e pediu que se retirasse do seu estabelecimento. Pensando na necessidade da sua família ela implorou: "Por favor senhor, eu lhe darei o dinheiro assim que eu tiver...".

    Ele lhe respondeu que ela não tinha crédito e nem conta na sua loja.

    Em  pé no balcão ao lado, um freguês que assistia a conversa entre os dois se aproximou do dono do armazém e lhe disse que ele deveria dar o que aquela mulher necessitava para a sua família, por sua conta. Então o comerciante falou meio relutante para a pobre mulher:

    "Você tem uma lista de mantimentos?" "Sim", respondeu ela. "Muito bem, coloque a sua lista na balança e o quanto ela pesar,  eu lhe darei em mantimentos"! A pobre mulher hesitou por uns instantes e com a cabeça curvada, retirou da bolsa um pedaço de papel, escreveu alguma coisa e o depositou suavemente na balança.

    Os três ficaram admirados quando o prato da balança com o papel desceu e permaneceu embaixo. Completamente pasmado com o marcador da balança, o comerciante virou-se lentamente para o seu freguês e comentou contrariado: "Eu não posso acreditar!". O freguês sorriu e o homem começou a colocar os mantimentos no outro prato da balança. Como a escala da balança não equilibrava, ele continuou colocando mais e mais mantimentos até não caber mais nada.

    O comerciante ficou parado ali por uns instantes olhando para a balança, tentando entender o que havia acontecido... Finalmente, ele pegou o pedaço de papel da balança e ficou espantado pois não era uma lista de compras e sim uma oração que dizia: "Meu Senhor, o Senhor conhece as minhas necessidades e eu estou deixando isto em Suas mãos..." O homem deu as mercadorias para a pobre mulher no mais completo silêncio, que agradeceu e deixou o armazém. O freguês pagou a conta e disse: "Valeu cada centavo...".

   Só Deus sabe o quanto pesa uma oração... Quando você receber esta mensagem, faça uma oração. É só isso o que você deve fazer. Então encaminhe esta mensagem para algumas pessoas com as quais você se importe. Se DEUS falou ao seu coração, abençoe alguém, enviando-lhe esta fantástica lição! Não existe impossível para DEUS! Jamais desista daquilo que você realmente quer.


Nota: Ultimamente não estou tendo muito tempo para dedicar ao blog, assim que puder estarei atualizando e colocando alguns textos interessantes para os leitores. O blog ainda existe e vai continuar, mas enquanto não tenho mais tempo ele continua na "marcha lenta". Obrigado pela visita!


Deus te abençõe!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Se Nascemos de Novo, como Podemos Permanecer em Pecado?

Por: Filipe Bento

Impressionante o foco que é dado em púlpito, sobre a natureza carnal do “crente”.

Incansavelmente, dizem assim: “Deus te aceita como você é, pecador. Não vai te amar menos, por que você pecou. Não sofra por causa disso. Jesus morreu para te libertar desse sofrimento”.
Outros dizem: “Todos pecam, eu peco, você peca”.

Crendo que há boa, mas ingênua intenção, para com os “não alcançados”, esse tipo de abordagem é demasiadamente perigosa, visto que, para muitos, isso pode soar quase como: “Amigão, não se preocupe, por que não tem jeito, você sempre vai pecar, não precisa sofrer por causa disso. Afinal você não tem culpa, é a sua natureza. Deus é amor e te aceita assim. Jesus levou toda sua culpa. Venha aqui na frente para se sentir melhor”.

E então? É tudo mentira?

Realmente todos somos pecadores, é o que a Bíblia nos diz em Romanos 3.23 “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;”

Bom, se todos pecaram, por que me incomoda o fato de estarem “batendo nessa tecla”? Alguns podem estar pensando: “Você está falando de salvação por obras da lei. Não é só pela graça que somos salvos?”

Quero chamar a sua atenção para uma questão posterior a salvação, isso nada tem a ver com o motivo da salvação, pois não estamos aqui falando de salvação, afinal essa etapa já passou, não é?

A questão é: Se, já fomos então justificados pelo sangue de Cristo através da infinita graça de Deus, pode um “crente” viver na vida de pecado e nada mudar?

Paulo diz: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?” Romanos 6.1-2

Certo pregador uma vez disse: “Como podemos ter um encontro com algo tão grandioso como Deus, através de seu filho, Jesus, e continuarmos do mesmo jeito? Poderia você ter um encontro com um caminhão em alta velocidade e permanecer intacto?”

Paulo seguindo em sua carta aos Romanos: “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.” Cap 6.11

Quando temos um encontro real com Deus, morremos para o pecado. E morrer para o pecado significa mudança de vida, não?

Quando o evangelho é pregado parcialmente, e dessa forma, com um “pseudo-amor”, quase sou convencido que é melhor largar a mão de sofrer por ter uma natureza carnal, já que nunca vou conseguir me livrar dela. E se a graça me foi dada assim, de graça, por que então me preocupar? Eu já não vou pro céu? Não preciso fazer mais nada.

Mas por que Paulo então escreve tal recomendação em seguida?

“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado como instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como redivivos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça. Romanos 6.12-13

Como é possível?

Caros amigos, isso só é possível por que, além de sermos libertos da servidão do pecado, nos tornamos servos da justiça!!!

Paulo continua: “... Pois assim como apresentastes os vossos membros como servos da impureza e da iniqüidade para iniqüidade, assim apresentai agora os vossos membros como servos da justiça para santificação... Mas agora, libertos do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna.” Romanos 6.19,22

Se nada te dói quando você comete um pecado, há algo de errado aí, não é?
Talvez você não tenha se dado conta que ainda não se tornou servo da justiça.

Mas corra, ainda há tempo.

Lembre-se:

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” Romanos 6.23

Vi no Discutindo a Bíblia.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Talvez



   Talvez você não acredite em milagres. Talvez você tenha lido textos ou visto algum filme onde diz que toda essa história não passa de uma teoria de conspiração. Talvez você nunca teve a oportunidade ou quem sabe nunca foi bem recebido. Talvez você pense que tudo é uma coincidência, um mero golpe do acaso. Talvez você pense que lá no fundo não existe um verdadeiro propósito para a sua vida, simplesmente nasceu e logo deixará de existir. Tudo isso é possível e provavelmente é o caso de muitas pessoas, essas mesmas que talvez nunca tenham procurado do fundo do seu coração um significado verdadeiro para a sua existência. Talvez nunca tenha parado para refletir sobre a grandiosidade da criação: dos planetas, estrelas, galáxias até a mais simples folha. Talvez ainda tem no seu interior muitos preconceitos e idéias equivocadas que nunca puderam ser discutidas com amor e compaixão. Talvez você tenha se perdido a muito tempo no caminho dessa vida do seu Criador, Aquele que te deu a vida e olha por você a cada momento de sua vida, mesmo quando você o ignora. Talvez o seu caso não seja nenhum dos descritos acima, mas acredite, seja qual for o motivo que te levou hoje a afastar-se de Deus... Ele te espera de braços abertos. Não quer mudar apenas sua qualidade de vida ou te abençoar, quer transformar todo o seu ser, cuidar do até dos seus mais profundos medos e temores. Quer te dar uma nova vida de verdadeira liberdade onde o que hoje te engana e destrói não terá mais poder já que o Seu Espírito Santo vai estar a te guiar a todo o momento. Mais do que palavras podem expressar muito, muito mais do que isso Ele pode fazer em sua vida se assim você quiser. Sua vida é muito especial e tem um verdadeiro significado para existir, tudo isso que te rodeia foi criado e feito por Ele com um propósito. Você não está sozinho, não escolha viver assim.

Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em  pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos;e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação. Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder,e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém! (Apocalipse7.9-12)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Salmos 23

1. O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.
2. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso
3. Refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.




4. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.



5. Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.



6. Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre.



Salmos 23:1-6

sábado, 21 de novembro de 2009

Cavaleiro da Fé



   Nos fins do século XIX, um jovem pastor dinamarquês, chamado Soren Kierkegaard, descreveu em um livro como seriam os traços, a postura, a fala e o modo de vida de um autêntico “cavaleiro da fé”. Desde que o li, fiquei imaginando, como se apresentaria hoje, num mundo tecnológico pós-moderno, materialista e individualista, alguém que tivesse de fato compreendido verdadeiramente o que é o Evangelho e o que é ter fé autêntica, e como ele enfrentaria as contradições de nossa época. Atrevo-me aqui, a discorrer um pouco sobre essa existência:

   Por ser um homem – ou uma mulher – de fé centrada na Pessoa de Jesus, ele não dá atenção a nenhuma forma de religiosidade constituída por crenças em objetos, nem leva à igreja peças de roupas, documentos, ou qualquer outra coisa, pois à semelhança da fé do centurião romano, seus lábios não se cansam de repetir: “Senhor, basta uma palavra sua…” (Mt 8.8).

   É capaz de ver a bondade de Deus presente em toda a Terra. Agradece pelo sol, pela chuva, pelo pão de cada dia, e até pelas dificuldades e provações. Embora, às vezes pareça que suas forças minaram, os seus olhos são como quem vê o Invisível, por isso nunca perde a esperança.

   Interessa-se por todos os assuntos, e conversa animadamente sobre tudo sem restrições. Nada do que é humano lhe causa espanto, e a ninguém julga, pois conhece muito bem as contradições e ambigüidades que existem dentro de si.

   Aprecia as Artes em geral, a pintura, a música, lê romances e poesia, pois no fundo sabe que, embora sejam prazeres efêmeros, eles representam antecipadamente as coisas do céu, como um vislumbre da Eternidade, um aperitivo que nos é dado. Só quem tem olhos para apreciar as artes pode reconhecer em Deus um Artista Supremo que pintou o pôr-do-sol com aquelas cores, criou cada flor com o seu toque de beleza e perfume, e arquitetou o cintilar intermitente das estrelas para iluminar a noite.

   Ao contrário de muitos cristãos, ele crê na “Graça comum”, onde Deus em sua infinita bondade outorga a todas as pessoas inumeráveis bênçãos, dons e talentos. Por esse motivo, ele se agrada da boa música sem se preocupar se ela vem de um selo gospel ou não, pois entende que só há dois tipos de música: a boa e a ruim. Entretém-se com as Bachianas de Villa-Lobos, vibra com o vozeirão de Pavarotti e de Bocelli, e sabe que há um toque da centelha divina em Elvis. Mesmo que estes não reconheçam de onde vêm tão brilhantes aptidões, o Cavaleiro da Fé sabe que “toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do Alto” (Tg 1.17).

   Embora ame o infinito, e deseje a eternidade, sabe saborear as coisas finitas com pleno prazer. Não se deixa paralisar pelos cuidados da vida, e em sua mente não há nenhuma preocupação com o amanhã, pois aprendeu a viver dia a dia e descansar no Senhor.

   Sente-se bem quando está reunido com seus irmãos no templo, mas também se alegra em poder se encontrar com aqueles que não expressam sua fé, já que não faz acepção de pessoas, nem alimenta qualquer preconceito na alma. Como é um filho da Luz, irradia por onde passa o amor de Deus, pois aprendeu que na Velha Aliança quem entrava em contato com algo contaminado, tornava-se imundo e impuro. Mas agora, desde que Jesus se deixou tocar por uma mulher hemorrágica, e tocou leprosos, ao invés de ser contaminado, a Sua Presença santifica e purifica.

   Sua fé não é vivida de maneira sôfrega, com culpas e temores infundados. Está em paz com Deus, e em Cristo aprendeu a perdoar o mundo. Tudo o que ele faz é para o Senhor: seu trabalho, seus estudos, e até quando se diverte. Não tem bloqueios com o seu corpo, por isso, quando feliz, se expressa também através dele, pulando e dançando como uma criança, e não dá a mínima para os olhos maus.

   Sente-se amado pelos que o cercam, mas também reconhece que nem todos o compreenderão. Por isso, às vezes parece meio solitário. E não cobra ninguém por isso, pois percebe que na vida será sempre assim – uns entenderão a gente, outros não.

   O cavaleiro da fé não cultua a Deus apenas no templo. Para ele não há mais dia, nem hora, nem lugar certo para prestar culto: onde ele está tem reverência ao Senhor. Todos os dias são santificados, os lugares mais comuns podem ser sagrados, bem como as coisas cotidianas da vida. Quanto aos alimentos, não rejeita nenhum: “recebidos com ações de graça, nada é recusável” (1Tm 4.4).

   Não vive temeroso com o diabo, não fica mencionando o seu nome, nem obcecado por suas ações. Sua vida pertence a Deus, é Deus quem o dirige, e reconhece que “todas as cousas cooperam para o seu bem”.

   Não se encaixa em nenhum rótulo religioso: não é gospel, nem renovado, carismático ou tradicional. De igual modo, também não aceita ser designado por termos próprios do judaísmo, como levita, gadita ou profeta. Ele é simplesmente um discípulo de Cristo, e como tal quer ser reconhecido.

   Bem…. Kierkegaard terminou o seu relato confessando que jamais encontrou um só exemplar autêntico do cavaleiro da fé. Eu também não, mas estou disposto a persegui-lo em minha vida, ou ao menos aproximar-me dele. Desejo o mesmo para você.


Autor: Pr. Daniel Rocha