quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Momentos

Para evitar essa barra, vivemos eternamente entediados e distanciados do momento, esmagados pela claríssima convicção de que poderíamos estar fazendo algo mais legal, mais bem-remunerado ou mais útil para o bem da humanidade. Vivemos, pela mesmíssima razão, eternamente distantes de Deus e das pessoas.


Por Paulo Brabo em Bacia das Almas

Variedade Paralisante

Nos dias de hoje temos muito, mas paradoxalmente, nos sentimos mais insatisfeitos. A mensagem passada dia após dia, pelo mercado, pela propaganda e por nossos heróis contemporâneos, é de que quanto mais você tiver, quanto mais comprar mais realizado será. Como alguns já começam a perceber, tal mensagem, que de início parecia ser a solução de todos nossos problemas, parece não estar surtindo efeito algum. Os mais sábios e divinos homens não foram aqueles que tinham muito mas não conseguiam aproveitar tudo, mas foram àqueles que viveram com o mínimo, ou ainda, com somente aquilo que podiam carregar com suas próprias forças, ou seja, a roupa de corpo e uma trouxa no máximo, mas que viviam intensamente suas vidas. Hoje com tantas escolhas à nossa disposição não sabemos escolher, é engraçado. Com tantas peças de roupas disponíveis ficamos indecisos e no final não satisfeitos com a escolha realizada. Talvez seja o tempo de repensarmos nosso modo de vida e buscar como exemplo os homens que viveram a vida mais sincera e divina que alguem já viveu, como um tal de Jesus. As casas estão cada vez mais atulhadas, mas a alma cada vez mais vazia e sem perspectivas. Deveriamos, por mais estranho que isso possa soar, buscar menos e viver mais.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Você Escolhe

   O ser humano, ao longo dos tempos, sempre avaliou a si mesmo e aos outros pelo ter e não pelo ser. Jesus foi o primeiro a desfragmentar tal pensamento limitado vivendo a vida da forma mais plena que alguem já viveu. Não tinha o que trancar e considerava isso, apesar de tudo o que conhecermos dizer o contrário, uma bem-aventurança. Mas nós aprendemos desde criança: tempo é dinheiro, e esse move o mundo. Quem em sã consciência iria escolher viver como o exemplo divino? Não vivendo de esmolas, mas procurando ser em primeiro lugar. Eu é que não, aliás não está mais aqui quem falou!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Fatos e Aprendizados

E enquanto céticos e crentes discutem circularmente sobre a factualidade dos milagres, deixamos de considerar o que consideraram gerações e gerações de cristãos: o que os milagres da narrativa bíblica tem a nos ensinar. Qual é o seu significado. O que representam. Quais são suas implicações na vida real, na minha vida e na sua.

Nosso literalismo, que alimentamos na esperança de preservar o conteúdo da mensagem bíblica, termina por sufocá-lo e apagá-lo por completo. Ficamos discutindo que se Jesus não nasceu literalmente de uma virgem, se não foi concebido literalmente pela divina semente portando o divino DNA, não pode ser tomado legitimamente como Filho de Deus – e perdemos de vista a maravilha e o mistério de que a história conte que o filho crucificado do carpinteiro tenha angariado a fama de filho de Deus, e a tenha angariado também para nós. Argumentamos que Adão e Eva devem ter sido personagens reais abocanhando uma fruta literal, do contrário desmoronaria por completo o edifício do Pecado Original e seu magnífico anexo, o da Redenção – e nisso deixamos de ouvir a história, que conta como a divina misericórdia soube abraçar com toda a maturidade as contradições da liberdade e os horrores sagrados do amor.

Por Paulo Brabo, via Bacia das Almas